Os inimigos de que fala o título da nossa coluna de hoje são, na verdade, as doenças.
Elas, na maioria dos casos, no lugar de flores mandam avisos, mas nem sempre é assim.
Estes podem, em certas ocasiões, ser muito claros, muito evidentes, mas nem sempre é assim. Também pode ocorrer, o que é muito frequente, que aquele que recebe o aviso se faça de desentendido, ou se acomode, ou até mesmo não acredite no que está acontecendo.
A Saúde da Mulher

Dr. Norberto Louback Rocha
A Saúde da Mulher
O ginecologista e obstetra Norberto Rocha assina a coluna A Saúde da Mulher, publicada às terças no A VOZ DA SERRA. Nela, o médico trabalha principalmente a cultura de prevenção contra os males que atingem as mulheres.
Depois de muito tempo, finalmente o Ministério da Saúde começa a olhar com mais atenção o chamado sexo forte. Que na verdade nem é tão forte assim, basta olhar com atenção as estatísticas nacionais da Previdência Social. Nelas fica claro que morrem muito mais homens. Existem mais viúvas recebendo pensões do que o contrário.
Começamos a assistir comerciais, na verdade de forma tímida,com pouca frequência é verdade, falando sobre o homem e seus problemas de saúde, as doenças que mais levam ao óbito e os cuidados que devem ser tomados para sua prevenção, mas já é um bom começo.
Estes dias de final de ano mexem muito com o emocional das pessoas.
Nos países, como o nosso, onde a formação religiosa da maioria da população leva a um relacionamento especial com o dia de Natal, uma boa parcela desta gente passa por momentos de intenso sofrimento.
A luta da ciência médica contra um dos grandes vilões da humanidade, o câncer, em suas centenas de tipos, não permite interrupção alguma.
Desde tempos que se perderam na memória esta doença agride o ser humano.
Algumas formas de causa conhecida, e uma grande maioria ainda oculta nos mistérios do corpo humano.
Hoje, com base nos anos e anos de pesquisa e experimentação, já possuímos evidências que permitem aos médicos afirmar que, apesar das dificuldades, muitas das formas da doença estão relacionadas à poluição que nós mesmos causamos ao planeta.
Queixa frequente nos consultórios ginecológicos, o ressecamento vaginal, as ondas de calor, a mudança de humor para pior, a péssima qualidade do sono, sem falar na diminuição acentuada do interesse sexual, são as principais consequências da menopausa.
Fase da vida feminina que coincide com o esvaziamento da casa, pela saída dos filhos que partem em busca da sua moradia, desejosos de constituir sua própria família.
Seja apenas pela menopausa em si ou pela associação com aquilo que chamamos de síndrome do ninho vazio, torna-se um momento da vida feminina muito temido.
A sociedade evolui em seus conceitos à medida que o tempo passa. O comportamento, principalmente dos jovens, apresentou mudanças radicais que, a princípio, assustaram os mais velhos. Com o passar dos anos, a maioria se acostumou com a novidade e não lhe deu mais a importância inicial.
Do corpo avantajado, onde os músculos se destacam pelo enorme volume, chegamos na atualidade a uma aparência mais equilibrada. Um corpo tipo fortões dos filmes americanos, já não parece atrair tanto a juventude que frequenta as salas de musculação.
O importante é ter saúde. Nem tanto ao céu nem tanto ao mar, como dizem algumas pessoas quando querem se referir a uma situação de meio termo.
Nos últimos cem anos, a ciência médica passou por avanços impressionantes.
Do tempo das chamadas “sangrias”, procedimento que consistia no corte de um vaso sanguíneo superficial, e com isto causar uma perda de sangue que variava conforme o entendimento do “barbeiro” ou daquele que fizesse o procedimento. Na época acreditava-se que, assim agindo, retirava-se do corpo os “humores” doentios que estariam a causar a doença. Muita gente perdeu a vida em razão destas sangrias.
Daqueles obscuros anos até hoje, foram saltos gigantescos.
Nesta ultima coluna deste ano de 2009 que se finda, vamos abordar um assunto para o qual desejo chamar a atenção das pessoas mais jovens, principalmente as mulheres.
Se, até alguns anos passados, a preocupação dos médicos era com os indivíduos acima dos 40, de ambos os sexos, a realidade tem feito com que isto mude de foco.
Sempre assistimos nos meios de comunicação, a divulgação de campanhas de prevenção aos diferentes tipos de câncer dirigidas a um público de faixa etária mais alta, os focos principais eram, e continuam sendo, a mama e a próstata.
Este mês a nossa pílula anticoncepcional comemorou os seus bem merecidos 64 anos de vida. Já foi criança,passou pela adolescência e juventude e agora se apresenta como uma sessentona gozando de boa saúde.
Desde o seu lançamento no mercado farmacêutico na maioria dos países ocidentais, ela foi alvo de pesadas criticas, vindas de varias direções. Dos meios médicos, advertências que chamavam a atenção para os riscos gravíssimos para a saúde das mulheres.
