Muitos confundem "vontade” com "desejo”. Quando se diz, por exemplo: "Ah! Que vontade de tomar um sorvete!”, está claro que aí "vontade” quer dizer "desejo”, uma "sensação”, bem diferente de "necessidade” e do que veremos quanto ao significado correto de "vontade”. Qual a diferença entre "vontade” e "desejo”? E o que isto tem que ver com "política”?
Saúde Mental e Você

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
É comum a mulher se referir a querer estar junto com um homem (namorado, noivo ou marido). Há uma qualidade de "estar junto” que é específica do gênero feminino. Será ela igual no gênero masculino? E se não for, como encontrar harmonia entre a mulher e o homem numa relação afetiva?
Como conviver com alguém que nega ter complicações comportamentais? Dificuldades e lutas interiores todos temos. Mas algumas pessoas são bem defensivas e vivem muito na negação, ou seja, não admitem que têm problemas emocionais, ou se admitem fica a pergunta: elas pensam nisto? Tem interesse em melhorar? Ou ao tomarem consciência de suas dificuldades, afastam este pensamento da mente e se ocupam com outras coisas?
Todos nós sofremos diante de perdas na vida, seja pela morte de uma pessoa querida, demissão do emprego, acidente grave, etc. E perdas produzem reações emocionais naturais em qualquer um de nós. Durante este tempo podemos receber ajuda de parentes e amigos para lidar com a dor. O que pode ajudar uma pessoa nesta situação?
Vivemos num mundo de competição, muitas vezes maldosa, agressiva, e até violenta. Mas temos que viver numa sociedade assim, a menos que decidamos ir para um mosteiro, numa comunidade pequena isolada numa montanha, indo à cidade somente para o essencial. Resolveria sua dificuldade de autoproteção? Faria útil sua existência? Como se proteger da agressividade cansativa da sociedade "normal”?
Vivemos papéis complexos na vida. Nossa personalidade apresenta um conjunto de manifestações difíceis de entendermos. Não é fácil ter um correto conhecimento de nós mesmos. Por que fazemos o que não queríamos? Por que não fazemos o que queríamos? O que queremos? Repetimos comportamentos que odiávamos em nosso pai ou mãe? Criticamos o cônjuge por um comportamento que também temos e não percebemos?
Já ouviu falar de "codependência afetiva”? Este é um tipo de dependência doentia que podemos estabelecer com as pessoas, especialmente as mais próximas na família.
As relações humanas exigem algum exercício de reflexão para funcionar bem. Seria ótimo se tudo corresse bem de forma automática, não é? Mas não é assim que ocorre na realidade. Seja no trabalho, na vida social, na família, cada um precisa pensar, refletir sobre o papel pessoal no contato com o outro. É verdade, isso pode cansar. Mas também é possível cansar menos quando aprendemos a funcionar melhor e incorporamos novos comportamentos com o aprendizado de maneira que ele vai se tornando mais natural.
O que somos como pessoa, humanamente, tem que ver com três coisas: (1) genética, (2) fatores ligados aos primeiros anos de nossa infância quanto à maneira como nossa família funcionou em torno de nós e em relação a nós, e (3) nossa sensibilidade pessoal ou nossa vulnerabilidade, a maneira como reagimos ao ambiente.
Sintomas físicos ou mentais que uma pessoa apresenta num momento de sua vida podem ser uma forma de ela estar na realidade. Há sofrimentos emocionais que promovem alterações funcionais de órgãos em nosso corpo e daí surgem sintomas físicos psicossomáticos (no corpo, mas originados na mente).