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Como ajudar uma pessoa que está vivendo uma perda importante?
quinta-feira, 07 de novembro de 2013
Todos nós sofremos diante de perdas na vida, seja pela morte de uma pessoa querida, demissão do emprego, acidente grave, etc. E perdas produzem reações emocionais naturais em qualquer um de nós. Durante este tempo podemos receber ajuda de parentes e amigos para lidar com a dor. O que pode ajudar uma pessoa nesta situação?
Há um tempo normal para que possamos nos recuperar emocionalmente diante de uma perda. Isto pode variar de três meses até um ano após a perda. Depende do tipo de perda, do temperamento da pessoa, da qualidade do vínculo que ela tinha com a pessoa que tenha morrido, se era ou não uma pessoa muito dependente emocionalmente, e dos recursos racionais e emocionais internos pessoais, e do apoio externo disponível. Veja o que você pode fazer para ajudar.
1) Ouça a pessoa com compaixão. Compaixão significa ser sensível à dor dela, imaginar como deve ser difícil o que ela está sentindo naquele momento. Coloque-se ao lado dela em silêncio. Fale pouco e ouça mais. Tenha à mão uma caixa de lenço de papel para oferecer. Não precisa pressionar a pessoa a ter que falar. Somos diferentes e assim uma pessoa pode querer falar, enquanto que outra pode preferir ficar quieta. Respeite isto.
2) Esteja pronto(a) para aceitar possíveis reações emocionais. As pessoas que sofrem algum trauma psicológico passam por uma variedade de emoções, que podem ser uma tristeza que desencadeia choro compulsivo, expressão de raiva, ou forte angústia com aperto no peito. Não se surpreenda, portanto, com uma expressão de raiva ou sentimentos de desesperança. Permita a pessoa falar disto e sentir isto. Se a pessoa a quem você está tentando consolar tiver um acesso de raiva e falar com nervosismo, não tome isto como algo pessoal.
3) Ofereça ajuda prática. Você pode levar algum alimento para ela. Pode fazer alguma tarefa que ela necessita ter pronta naquele dia difícil. Pergunte se ela quer que você faça alguma compra no supermercado, ou se precisa abastecer o carro, cuidar das crianças, de algum parente idoso dependente de assistência, ou se há algum animal de estimação que precisa de cuidados. Ofereça levar a pessoa na capela do cemitério, no caso de uma perda por morte.
4) Não fique dizendo para a pessoa parar de chorar, que ela tem que ter fé, que precisa reagir, etc. Desvalorizar os sentimentos de alguém diante de uma perda importante é desaconselhado. Assim, não diga para a pessoa em luto como ela deveria reagir, o que ela deve sentir e o que ela não deve sentir. Não há um padrão certinho que todos devem seguir diante de uma perda.
5) Evite explicações teóricas sobre sua versão do por que do ocorrido que gerou a dor emocional na pessoa. É comum pessoas dizerem ao que sofre o luto: "Ah! Isto é parte do plano de Deus para sua vida!”. "Deus mandou isto por alguma razão!”, "Deus quis levar xxx (nome da pessoa)!”. Frases assim podem aumentar a dor de quem está em luto. Até porque Deus não tem nenhum plano para que as pessoas sofram, Ele não quer que as pessoas morram. Os sofrimentos desta vida não têm a ver com estratégias divinas para nos punir. Ele pode usar os sofrimentos para nos ajudar, mas isto é totalmente diferente de produzir ou causar dor em nós para nos ensinar algo. Uma coisa é causar o sofrimento, e outra é permitir que ele ocorra.
6) Se a pessoa quiser falar no assunto da perda, não se preocupe em ter que desviar o assunto. Esta não é sua tarefa, se você quer mesmo dar apoio. Quando uma pessoa vive uma perda importante na vida, é normal querer falar do assunto, e repetir isto depois algumas vezes. Faz parte da expressão da dor e do processo de resolução do sofrimento. Por isto, não mude o assunto. Deixe a pessoa compartilhar o que sente. Apenas ouça. Talvez palavras que possam ajudar neste momento são: "Puxa! É doloroso mesmo!”, ou "Que chato tudo isto, não é?”, ou ainda "É, não é fácil isto!”. Frases curtas, voz baixa, apenas tentando empatizar com a pessoa em luto.

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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