Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ansiedade é uma sensação de inquietude, aflição, falta de serenidade, às vezes vivida com um aperto ou pressão no peito, bolo na garganta, além de outros sintomas físicos (psicossomáticos). Todos temos ansiedade, mas nem todos têm ansiedade alta. A ansiedade excessiva se manifesta de diferentes maneiras, como na crise do pânico, no transtorno obsessivo-compulsivo, numa fobia, na forma de ansiedade generalizada, etc.

Como saber se uma pessoa sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizada? Ela precisa apresentar o seguinte:

A. Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva), ocorrendo na maioria dos dias pelo período mínimo de seis meses, com diversos eventos ou atividades (tais como desempenho escolar ou profissional);

B. O indivíduo considera difícil controlar a preocupação;

C. A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes seis sintomas (com pelo menos alguns deles presentes na maioria dos dias nos últimos seis meses): (Nota: apenas um item é exigido para crianças)

(1) inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele;
(2) fatigabilidade;
(3) dificuldade em concentrar-se ou sensações de "branco” na mente;
(4) irritabilidade;
(5) tensão muscular;
(6) perturbação do sono (dificuldades em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto);


D. O foco da ansiedade ou preocupação não está confinado a aspectos de um transtorno do Eixo I; por exemplo, a ansiedade ou preocupação não se refere a ter um Ataque de Pânico (como no Transtorno de Pânico), ser envergonhado em público (como na Fobia Social), ser contaminado (como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo), ficar afastado de casa ou de parentes próximos (como no Transtorno de Ansiedade de Separação), ganhar peso (como na Anorexia Nervosa), ter múltiplas queixas físicas (como no Transtorno de Somatização) ou ter uma doença grave (como na Hipocondria), e a ansiedade ou preocupação não ocorre exclusivamente durante o Transtorno de Estresse Pós-Traumático;

E. A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo;

F. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (p. ex., hipertireoidismo) nem ocorre exclusivamente durante um Transtorno do Humor, Transtorno Psicótico ou Transtorno Global do Desenvolvimento.

O TAG atinge entre 5% a 7% da população em geral. O mais alto índice ocorre entre pessoas de 45 a 49 anos de idade, com quase 8%. A prevalência é menor em pessoas acima de 60 anos de idade, ocorre duas vezes mais nas mulheres do que nos homens e, com o aumento da idade, aumenta a frequência nas mulheres e diminui nos homens.

As pessoas com TAG têm excessiva preocupação com família, finanças, trabalho e saúde pessoal. Sofrem frequentemente de insônia, dor de cabeça, dores musculares, fadiga, sintomas gastrointestinais, entre outros. É preciso fazer uma avaliação clínica para descartar (ou achar) problemas como doenças cardíacas, alterações da tireoide, tumores, asma, uso de anfetaminas, cocaína, maconha, excessivo consumo de cafeína, etc.

O tratamento do TAG envolve (1)abordagem psicológica; (2)medicação sintética; e (3) medicação fitoterápica. A psicoeducação é a parte mais importante na psicoterapia ou aconselhamento psicológico e ela envolve orientar a pessoa sobre o que é a ansiedade, ajudá-la a usar técnicas para o manejo da ansiedade excessiva, orientá-la quanto à importância de checar os pensamentos trágicos que ela aprendeu a desenvolver em sua consciência para interrompê-los e substituí-los por pensamentos saudáveis, aprender a detectar os tipos de "gatilhos” que disparam a ansiedade excessiva (pensamentos distorcidos, sintomas físicos que preocupam, etc.). 

Quanto ao uso de medicação sintética, os de primeira linha para o Transtorno de Ansiedade Generalizada são: paroxetina, escitalopram, duloxetina, venlafaxina, sertralina, sendo que estes são também usados para depressão tendo a vantagem em relação aos tranquilizantes por não produzir tolerância (necessidade de usar doses maiores para obter bons resultados) e geralmente não induzem ao uso abusivo. Dentre estes não se verificou claramente qual seria o melhor. Os mesmos remédios produzem resultados diferentes para pessoas diferentes. 

Dentre os tranquilizantes, o alprazolam produz bons resultados e pode ser usado no início do tratamento, pois reduz rapidamente a ansiedade excessiva, embora possa produzir dependência, devendo, portanto, ser evitado por pessoas com tendência para adicção (vício de substância). E também a retirada deste medicamento (desmame) pode demorar mais do que os citados acima.

Finalmente, há os fitoterápicos (medicamentos originados de plantas medicinais), como a kawa-kawa, a passiflora e a valeriana. Geralmente pessoas que nunca usaram medicação psiquiátrica sintética podem ter melhores respostas com os fitoterápicos. Kawa-kawa deve ser usada por pouco tempo porque pode intoxicar o fígado. Infelizmente, o mais comum é que pessoas com TAG não respondam bem aos fitoterápicos, e precisam ser avaliadas por psiquiatra, que pode assumir a orientação quanto ao tratamento medicamentoso e encaminhar a pessoa para psicoterapia com psicólogo.


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César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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