Você pode deixar de ser codependente - 12 de janeiro 2012

sexta-feira, 06 de abril de 2012

Há pessoas que vivem com um dependente químico e atuam num papel de “salvador”. Elas revelam um certo tipo de vício também, que é o vício de controlar a vida de outra pessoa, geralmente do dependente químico. A droga do dependente químico pode ser o álcool, a cocaína, a maconha, etc., e a droga do familiar dele pode ser o controle que tenta exercer sobre o viciado na droga.

Nem todo pessoa que vive com um dependente químico é viciada em controlar. Quem é, chamamos de “codependente”. O que revela se a pessoa é ou não codependente é um conjunto de característica e comportamentos.

A codependência ocorre em homens e em mulheres, sendo mais comum nas mulheres. Homens tendem a viver a codependência ficando obsessivos pelo trabalho, por um esporte, ou hobbie. Já as mulheres tendem a ficar obcecadas ou obsessivas por um relacionamento.

Dependentes químicos usam uma substância para fugir do sofrimento que existiria no encontro consigo mesmos e com seus sentimentos. Os codependentes usam os relacionamentos para isto. Se o codependente não encontra alguém para “cuidar”, “salvar” ou controlar, pode ter sintomas de abstinência semelhantes aos do dependente químico ao ficar sem a droga de escolha. O relacionamento é usado pelo codependente para afastar a dor.

Devido ao amor e atenção que os dependentes químicos não tiveram na infância, eles tendem a procurar pessoas que não estarão disponíveis.

O codependente se sente responsável por outra(s) pessoa(s), quer dirigir a vida dos outros, mas não cuida da própria vida. Não sabe o que sente. Geralmente deixa que o comportamento de outra pessoa o afete demais. Gasta um tempo exagerado preocupando-se com problemas das outras pessoas e tenta resolver as confusões criadas pelo dependente químico, ou fica com uma raiva imensa dele porque eles criaram uma situação complicada que o codependente se sente na obrigação de resolver. Mas é importante frisar que não é para ele resolver! O codependente precisa entender os 3 C. (1)Eu não Causei isto (a dependência química ou as complicações dela); (2)Eu não posso Controlar isto (as atitudes do dependente químico), e (3) Eu não posso Curá-lo (curar o dependente químico).

Um codependente pode ter vivido num ambiente muito opressivo na sua infância que acabou por criar nele uma imensa dificuldade de expor sentimentos e discutir problemas aberta e diretamente, sejam pessoais ou interpessoais. Ele precisa parar de se sentir responsável PELA pessoa, e ser “apenas” responsável PARA COM a pessoa. Ou seja, não assumir as consequências das besteiras que o dependente químico (ou que a pessoa com outro problema) faz.

O codependente precisa compreender que enquanto permanecer tentando controlar o incontrolável (o comportamento de outra pessoa), estará perdendo sua própria liberdade!

O codependente começa a se recuperar quando dá passos para fazer por si mesmo o que faria ou desejaria fazer para uma pessoa que ele ama.

Se o codependente convive com um viciado na ativa, ele precisa de recuperação da codependência pois isto, além de trazer benefícios próprios, será o melhor para que o viciado possa concluir que também necessita de tratamento.

Mulheres (ou homens) codependentes com parentes viciados dizem: “Minha vida é em função de meu (filho/marido/irmão). Se ele melhora, eu também melhoro. Se ele está mal, eu também fico mal”. Que decisão é esta de alguém só ficar bem se o outro também ficar? Isto é uma ilusão, porque quando o viciado fica sóbrio, ao parar de usar a droga de escolha, o codependente segue com sua doença, ou seja, querer controlar a vida do outro. Ele pode ter se acostumado tanto a viver com o sofrimento do viciado e com o seu próprio sofrimento pela perda de sua identidade, que não sabe o que fazer se o viciado ficar sóbrio.

O que o codependente deve fazer para ter saúde emocional? Se esforçar para deixar de controlar a vida do outro e começar a controlar a sua. Deve crer que tem o direito de ter alívio do sofrimento pela convivência com um viciado.

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César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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