Transtornos de Personalidade: espectros ou grupos

quinta-feira, 05 de maio de 2016

Transtornos de Personalidade são alterações psiquiátricas graves caracterizadas por modelos crônicos de comportamentos inflexíveis afetando profundamente os relacionamentos interpessoais, sociais e ocupacionais, e são agrupados em três espectros. Vimos o espectro A na edição da última quinta-feira, 28 de abril, e agora vamos abordar os espectros B e C.

- Espectro B – dramático, emocional ou instável – pessoas deste espectro são exigentes, manipuladoras, instáveis emocionalmente e inapropriadas nos relacionamentos interpessoais. Tentam criar relacionamentos que ultrapassam os limites normais, gerando confusão e estresse. Ao lidar com elas tenha cuidado para perceber as atitudes manipuladoras, invasão de limites e instabilidade emocional delas.

O indivíduo com transtorno antissocial tem um modelo persistente de enganar e manipular, impulsividade, desprezo pelos direitos dos outros, podendo se envolver em problemas com a lei e comportamento agressivo ou violento. Se comunique com ele de modo claro, objetivo, não punitivo, colocando limites claros.

 A pessoa com transtorno borderline, devido à sua instabilidade nos relacionamentos, tem forte impulsividade, perturbações de autoimagem, pode apresentar também depressão, ira, paranoia, extrema dependência, automutilação e outros atos autodestrutivos, fantasias terríveis sobre doença, alternando entre valorizar as pessoas (médicos, psicólogos, etc.) numa hora e depreciá-las em outro momento.

Ao lidar com ela mantenha distância evitando muita familiaridade, seja formal, coloque limites firmes em termos de disponibilidade para estar com ela, explique qual é o comportamento apropriado que você precisa que ela tenha no contato com você. Incentive usar a medicação, não responda às provocações e ataques verbais que ela fizer tolerando, com limites, suas explosões emocionais.

As pessoas com personalidade histriônica são desconfortáveis quando não são o centro da atenção, sendo emocionalmente sedutoras, dramáticas e “espaçosas”. Usam sua aparência para atrair a atenção dos outros. Somatizam muito (sintomas no corpo com origem nas tensões mentais). Excedem na busca de atenção. São exageradamente emocionais.

Lidando com elas, o melhor é ser empático para com suas questões da vida, enquanto que ao mesmo tempo devemos evitar responder inapropriadamente às atitudes sedutoras e “sem-desconfiômetro” delas. Demonstre interesse pelas lutas emocionais delas, mas evite também muita familiaridade e intimidade.

Narcisistas têm um senso de auto-importância e necessidade de admiração exagerados, tendem a ser cobradores, arrogantes, absorvidos em si mesmos e sem empatia para com os outros. Negam ter problemas e ficam enfurecidos com o que interpretam como desprezo.

Lidando com elas, não tente apontar ou criticar o exagerado senso de direito delas e reações emocionais enraivecidas, mas procure reconhecê-las e demonstrar atenção. Negociar situações do dia a dia e colocar limites também são importantes lidando com este tipo de pessoa. Canalize seus comentários para com ela de modo a mostrar que ela têm alguma condição e habilidade de lidar com os problemas delas.

- Espectro C –ansioso ou temeroso – neste grupo estão os muito ansiosos, por medo de como são avaliados por outros, de serem abandonados ou medo das coisas não funcionarem dentro do costume. Experimentam ideias e sensações desconfortantes que causam estresse e interferem no seu funcionamento com as pessoas.

Quem tem personalidade evitativa é essencialmente tímido ou inibido com sentimentos de inadequação, baixo respeito próprio, medos de rejeição e humilhação, supersensíveis às críticas, mas com capacidade de desenvolver bons relacionamentos ao se sentirem seguros e aceitos. Evitam compartilhar pensamentos que acreditam possam causar embaraço, não gostam de questionar ou discordar dos outros. Lidando com elas, demonstre aceitação, dê valor às preocupações que elas apresentam e as anime a conversar sobre o que as preocupam e as fazem sofrer.

Os com personalidade dependente lutam com a tendência de se olharem como inaptos para funcionar adequadamente sem auxílio de outros. Têm necessidade excessiva de serem cuidados por outros, e urgentes desejos de atenção. Tendem a prolongar a doença para obter atenção e proteção. Se apegam exageradamente às pessoas e temem ser abandonadas e ficar sem ajuda, gerando dificuldades em tomar decisões, ter motivação, e assumir responsabilidades na vida.

Costumam ainda ir longe para manter amizades e senso de segurança. Se tornam dependentes de profissionais de saúde. Lidando com elas, não as rejeite, ajude, mas dose seu envolvimento, reconhecendo as limitações que você tem para não ficar sobrecarregado com as demandas destas pessoas dependentes, recomendando e lembrando (dê uma lista com nomes e telefones) a elas lembrando-as que existem outros que também as podem ajudar. Evite tomar decisões por elas.

‘Pessoas com personalidade obsessivo-compulsiva são preocupadas com ordem, perfeição e controle. Temem perder o controle sobre funções corporais e emocionais. Têm muito medo de largar qualquer controle. Perdem a visão do todo devido à preocupações exageradas com detalhes, regras e organização. Se tornam ansiosas e/ou irritadas ao ter que lidar com a incerteza e situações intermediárias, sem ser 8 ou 80, e quando algo atrapalha suas rotinas.

Lidando com elas evite discussões que tocam nas práticas obsessivas e rotineiras delas. Ofereça tarefas e comentários claros, objetivos, talvez por escrito, devido à necessidade de controle e ordem que elas têm. Evite falar de incertezas.

Fonte: American Family Physician - Assessment and Management of Personality Disorders, RANDY K. WARD, M.D., Medical College of Wisconsin, Milwaukee, WisconsinAm Fam Physician. 2004 Oct 15;70(8):1505-1512. http://www.aafp.org/afp/2004/1015/p1505.html#sec-1visitadoem 20abril2016

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César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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