Colunas
Por que nem todo mundo é patrão?
quinta-feira, 06 de fevereiro de 2014
Não tenho estatísticas de nenhum país sobre que porcentagem da população é empregada comparada com a que é empresário, patrão, dono do negócio. No Brasil, no 2o. trimestre de 2013, éramos uma população de 194 milhões de pessoas com 90.6 milhões de empregados. Por que uma boa parte não se torna empresário?
O que faz com que uma pessoa se torne um empresário de sucesso no mundo financeiro e profissional? Se você que está lendo esta matéria é um destes da minoria da população que se tornou empresário(a), é possível que responda em seus pensamentos assim: "Eu dei muito duro! Trabalhei muito na minha vida para chegar onde cheguei!” Muito bem, este é um argumento de valor, verdadeiro, porque você pode mesmo ter se esforçado e trabalho arduamente por muitos anos para crescer financeiramente. Mas como você conseguiu a força para trabalhar e esta "coisa” que impulsiona para ser patrão?
Em empresas, lojas, e mesmo órgãos do governo, encontramos funcionários que são dedicados, esforçados, que "vestem a camisa da empresa”, trabalham arduamente, fazem hora extra com senso de responsabilidade para com a produção, mas continuam empregados! Por que estes, que da mesma maneira que os empresários de sucesso (pelo menos financeiramente), que trabalharam duramente por anos, não se tornaram patrões? O que há na pessoa que faz com que ela se torne patrão bem sucedido, faz seu negócio crescer sempre, e que não há no ótimo funcionário que segue como empregado?
Será um talento administrativo? Ou a necessidade de concentrar suas energias quase que plenamente no negócio? Jogadores(as) famosos de futebol possuem habilidade psicomotora com as pernas e pés bem acima da média. O talento deles é esta habilidade especial com seus membros inferiores. E parece que alguns precisam desesperadamente de um empresário para administrar sua vida financeira, porque a habilidade espetacular de uma boa parte deles é só com as pernas e pés! Então, neste exemplo de jogadores famosos de futebol, percebemos que a concentração energética de talento está focalizada na psicomotricidade dos membros inferiores. Isto não quer dizer não sejam inteligentes e que não possam desenvolver outros talentos, da mesma forma que não se pode dizer que empresários milionários, mas pobres em vida emocional, não possam aprender a lidar com seus sentimentos e relacionamentos de forma mais saudável.
Cada ser humano tem uma ou mais habilidades especiais. Cada pessoa é boa em alguma coisa, ou seja, ela faz muito bem algo, o que para ela não é difícil, é (meio) natural, sai de dentro do ser com certa facilidade. É o dom dela. Pode ser para jogar futebol, cozinhar, escrever, dirigir uma empresa, aconselhar, costurar, atender clientes numa recepção, tocar um instrumento musical, representar numa peça teatral, etc. O injusto é que a mídia acaba exaltando exageradamente, alguns indivíduos pelas habilidades deles que, tudo bem, agradam o povo, mas não trazem nenhum benefício real para o alívio do sofrimento humano, devido à pobreza material. E a mídia nem toca ou raramente toca no assunto de outras pessoas que usam suas habilidades de maneira a beneficiar a sociedade. Também é injusto que as pessoas que têm habilidades empresariais ganhem muito dinheiro e as que não têm, possivelmente, ficarão a vida toda como empregados assalariados, mesmo sendo ótimos profissionais, mas que faltou neles esta "coisa” que empurra o empresário para o sucesso financeiro. Injusto é propagar que felicidade é ser rico materialmente. Você já ouviu falar de pessoas ricas com depressão séria, ou que se tornaram viciadas em drogas, ou que se mataram? Ou isto só atinge os pobres?
A minoria da população é constituída de patrões, e a maioria de empregados. Como seria a sociedade se a maioria fosse patrão? Neste caso o patrão é que seria o balconista, o frentista, o garçom, o lixeiro, o carteiro, o motorista do ônibus, o entregador de gás, o "chapa” que descarrega um caminhão, o peão da obra, o professor na sala de aula, o gari, o porteiro do prédio, o apontador do jogo do bicho, o guarda de trânsito?
A falta de justiça social é dolorosa. A liderança política tem nas mãos poder e recursos para usar as habilidades de governo na promoção do que diminuirá a dor dos pobres na luta pela vida. Definitivamente, este mundo como ele funciona é perverso. É preciso fazer força na própria mente para não cair na vala comum idiota que exalta os ricos e famosos porque eles usam as habilidades naturais que lhes foram concedidas geneticamente e acabam sendo endeusados como se eles mesmos fossem os originadores destes dons. O apóstolo Paulo comenta: "Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” 1 Coríntios 4:7. É preciso fazer força na própria mente para valorizar o que você faz com seus dons maravilhosos, mesmo não se tornando estrelas na mídia, mesmo não ganhando dinheiro para ficarem ricos, mesmo não se tornando patrões; entretanto, usando seus talentos para, de alguma forma, aliviar o sofrimento das pessoas.

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.
Deixe o seu comentário