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A morte do jornalista da Band – morte do que mais?
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O jornalista da Rede Bandeirantes, atingido por um artefato usado por imbecis, é uma amostra da violência que vai piorar, infelizmente. Temos que ter cuidado, como um povo, para não perdermos a noção de repugnância contra a corrupção. Carnaval, Copa do Mundo de Futebol e tragédias como esta da morte deste profissional jornalista tendem a desviar a atenção do público, que começou a despertar e fazer manifestações pacíficas contra a perda da moral, da vergonha, da ética e do bom senso por parte de líderes do governo, junto a empresários gananciosos e também corruptos.
A amostra não grátis, pesada demais, porque envolveu a morte de um profissional em trabalho, representa a morte do bom caráter da liderança de nosso país, incluindo empresários corruptos. Atos de vandalismo inaceitáveis não ocorrem só nas ruas, mas nos gabinetes de políticos, nos escritórios de empresários, nos acertos da propina.
Não nos iludamos: estas coisas não melhorarão, porque a maioria não está interessada em melhorar. Não dá para ter cura de algo que a pessoa não quer tratar. A insensibilidade e anestesia das emoções dos baderneiros das ruas é correspondente à insensibilidade moral e ética de uma grande parte da liderança política brasileira. É muita cara de pau, é muita hipocrisia de uma vez só, é muita perda de respeito pela população praticada por um grupo pequeno de pessoas de poder, comparada com a população brasileira. Estamos lidando com uma inflação crescente de mau caráter. Isso não se trata psiquiatricamente. Não há psicotrópico (medicação que atua no cérebro) que cure estas deformidades de caráter. É algo mais espiritual do que psicológico.
A obsessão pelo poder e pela ganância material cegou estes indivíduos e os tem conduzido à violência nos gabinetes e escritórios empresariais, com atitudes que prejudicam a população. A morte do jornalista da Band bem que simboliza a morte da boa moral neste país. Os vândalos das ruas agem com dolo (intenção maligna), assim como os engravatados e cínicos maus políticos, devido aos seus atos de corrupção compulsivos. Estes últimos matam também milhares de pessoas, ao roubarem e/ou desviarem verbas que seriam usadas para hospitais e clínicas do governo, para boas e seguras estradas, para escolas públicas ou para levar água e saneamento básico para populações carentes que acabam contraindo doenças complicadas pela falta destes recursos que o governo deveria oferecer, se bem usassem o dinheiro dos impostos que nós pagamos.
Costumo viajar a trabalho entre a cidade onde resido, Nova Friburgo/RJ, e Jacareí/SP. O trajeto que faço é pedagiado. Ida e volta. E o IPVA que pago? A cidade está cheia de buracos crônicos. Estou novamente levando meu carro à oficina por ter rompido uma peça que, segundo o mecânico, tem a ver com a ruim condição das ruas. Fazer blitz para multar e apreender os veículos com documentação irregular é uma forma correta e legal de atuação do Depto. de Trânsito do Município. É um tratamento não preventivo, mas curativo. Cabe fazer isto. Mas não cabe fazer só isso. O povo precisa ser educado para a prevenção de doenças, de acidentes de trânsito. Também é uma ilusão distribuir camisinhas e dar vacinas como se fosse a melhor educação social em saúde. A melhor prevenção é a primária, pois educa a pessoa a evitar a doença, evitar o problema. Se meu IPVA fosse usado para consertar ruas, colocar radares de multas em locais necessários para preservar a vida ao invés de servir como "indústria de multas”, se fosse usado para a manutenção dos semáforos e sinalização horizontal adequada, boa qualidade das estradas não pedagiadas e educação quanto ao trânsito, eu pagaria com satisfação.
É verdade que o povo brasileiro é mal educado em muitas coisas. Em parte, isso depende do núcleo familiar, da cultura de programas do governo e de cada indivíduo ser responsável. Ontem testemunhei, mais uma vez, a deseducação do povo. Um casal fazia caminhada e, na minha frente, a senhora jogou um copo descartável num canteiro na calçada. A gente vê isso sempre, mesmo com lixeira pública a poucos metros da pessoa. Isto ocorre por falta de educação no lar, por desrespeito para com a Natureza e o bem público, pela falta de noção de limites. Será que aquela mulher joga lixo no quintal de sua casa ou na área de serviço de seu apartamento, assim como o fez numa via pública?
O jornalista da Band morreu por causa de mais um idiota que talvez tenha revolta contra o pai e/ou a mãe e descarrega isto contra autoridades. Mas contra quem os políticos e empresários corruptos descarregam suas roubalheiras? Aprenderam a desonestidade com os pais no lar de origem? O corrupto rouba não só o povo para quem ele prometeu ajudar. Ele rouba a própria paz interior. No fundo, é um idiota, cego, possesso pela malignidade, como o marginal que, ao ser perguntado na delegacia porque estuprou a menina de nove anos de idade, diz friamente: Perdi o controle. E não sente remorso.
Estes corruptos de gravata, eleitos para bem governar o povo, são como este marginal, pois estupram a verdade e o compromisso de executar ações para aliviar o sofrimento das pessoas com discursos cínicos. São inocentados, permanecem sem serem cassados, são colocados em outras funções no próprio governo e pior: o povo vota neles de novo. Por que, minha gente? Solução? Ir para as ruas pacificamente. E ser coerente.

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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