Olhos fixos na verdade

segunda-feira, 04 de abril de 2016

Caros amigos, a Páscoa revelou a plena verdade sobre Jesus de Nazaré. Sua “vida terrena” foi sempre marcada pelos enigmas em torno a sua pessoa: “Quem é este a quem o vento e o mar obedecem? Quem é este que pode perdoar pecados? Não é o carpinteiro? Será Elias, Moisés ou alguns dos profetas antigos?” (Cfr. Mt 8, 27. 9, 6; Mc 6, 3; Lc 9, 19). Poucos sabiam quem era Jesus (Cfr. Mt 16, 16), mas depois da Páscoa, esta mensagem foi pregada abertamente pela Igreja (Cfr. At 2, 36). Sua rápida expansão pelo mundo antigo é, inclusive, a origem do símbolo pascal do “coelho”, animal conhecido por sua numerosa e rápida reprodução.

O fato é que nem todos aceitam a verdade, pois aceitá-la é comprar uma briga! Ela fragiliza tradições e rompe costumes. Muitas lágrimas e sangue foram derramados por causa da verdade, pois, uma vez conhecida, ela nos obriga a não mais voltar atrás. Sem dúvida, a vida é mais cômoda nas trevas da ignorância, porém ela só se realiza plenamente à luz da verdade.

O pecado é uma resistência a esta luz. Ele aponta para o caminho mais fácil: o de aceitar só o que convém. E, por isso, o pecado nunca conviverá com o ensinamento de Jesus de Nazaré. De fato, Nosso Senhor põe em crise esta tradição humana de crer e lutar movido mais por afinidades e interesses do que por autenticidade de convicções. Ele dá a isto o nome de hipocrisia, que é o início da corrupção.

Muitos – como eu – olham perplexos as notícias de corrupção: acusações mútuas, argumentos contra e a favor de determinadas decisões, movimentos mais ou menos explicados de partidos e duvidosas intenções na entrega de cargos políticos. Reconheço o trabalho do Poder Judiciário neste tempo delicado de nosso país e coloco neste empenho muitas esperanças de que saiamos desta crise mais fortalecidos como nação democrática.

Entretanto, enquanto as investigações forem motivadas pela conveniência dos grupos políticos, enquanto a lei só se aplicar aos inimigos, enquanto houver foros privilegiados e imunidades usadas não com seu objetivo original, mas para atravancar as investigações judiciais legítimas, será mais difícil que resplandeça a verdade em toda a sua beleza.

Creio profundamente que o antídoto para a corrupção pública é a mudança do coração, que deve buscar a verdade e não os prêmios fáceis da corrupção. Disse Jesus: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. (Jo 18, 37). Rezo para que todos o escutem e o sigam.

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Dom Edney Gouvêa Mattoso

A Voz do Pastor

Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo, o bispo diocesano da cidade, Dom Edney Gouvêa Mattoso, assina a coluna A Voz do Pastor, todas as terças, no A VOZ DA SERRA.

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