A VOZ DA SERRA comemora o Dia do Repórter

Pratas da casa falam dos prazeres de exercer a profissão
sábado, 16 de fevereiro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
A redação de A VOZ DA SERRA (Fotos: Henrique Pinheiro)
A redação de A VOZ DA SERRA (Fotos: Henrique Pinheiro)

Repórter é aquele indivíduo responsável por apurar um fato e levar ao leitor ou espectador o resultado de seu trabalho. É o profissional que tem a missão de separar o que é real do que é falso, é quem bota a cara no “fervo”, quem fica na linha de tiro, faz a pergunta que ninguém quer responder, é o inimigo de quem deve alguma coisa.

Com a difícil missão de descobrir o que alguns querem esconder, de divulgar por vezes assuntos trágicos e dar em primeira mão notícias que provocam sorrisos de orelha a orelha, neste sábado, 16, comemoramos o Dia Nacional do Repórter. E alguns profissionais de A VOZ DA SERRA deram um tempo em suas pautas do dia para contar aqui detalhes e histórias dessa apaixonante profissão.

Guilherme Alt

“Lembro quando tinha 9 anos, peguei uma régua fingindo que era um microfone e saí pelo antigo Externato Santa Ignêz, hoje PENSI, “entrevistando” meus colegas e funcionários. Não lembro exatamente o assunto, só lembro que muita gente gostou da ideia e foi me seguindo pra saber o que cada “entrevistado” iria responder. É apenas um flash de infância do primeiro momento em que pensei nessa profissão. Quando chegou a hora de iniciar um curso universitário, eu já sabia exatamente o que eu queria pra minha vida profissional.

Eu gosto de ir pra rua, conhecer pessoas, ouvir e retratar suas histórias. As melhores matérias, sem dúvida, são aquelas que você faz com o propósito de ajudar. Seja denunciando um buraco na rua, falta d’água, problema de segurança, pessoas passando por necessidade, entrevistando artistas em início de carreira ou uma reportagem que ajude a causa animal. O meu primeiro furo foi denunciar uma obra irregular em um prédio na Tijuca-RJ. A obra colocou seriamente em risco a vida de milhares de pessoas no bairro e eu fui o primeiro a fazer a matéria. Depois disso, outras emissoras e veículos deram atenção ao problema, a obra foi embargada e tudo foi solucionado. Foi quando percebi que jornalistas também salvam vidas. Eu sou muito crítico com a questão da empatia e ajuda ao próximo.

As redes sociais deixaram as pessoas mais preguiçosas. São poucos os que arregaçam as mangas e partem pra ação. A maior parte só coloca uma carinha triste, uma imagem de “luto” e acham que fizeram sua parte. Se eu perceber que com uma matéria posso resolver o problema de um bairro, comunidade, de uma família, eu faço. Eu percebo que algumas dessas boas ações, em Friburgo, são documentadas para servir de palanque, assim como notícias circulam pelas redes de forma incompleta, simplesmente pela pressa de querer ser sempre o primeiro.

Eu prefiro escrever uma notícia completa, com todos os fatos apurados, do que simplesmente pegar um texto pronto ou uma “imagem que circula na internet”, transformar em matéria sem apurar os fatos e ser o primeiro colocar no ar. Esse é o verdadeiro repórter, o que não se preocupa com cliques ou em ser o primeiro, mas sim em noticiar de forma completa o ocorrido.

Talvez seja por isso que muitas pessoas, quando procuram A VOZ DA SERRA para denunciar ou sugerir uma reportagem, me dizem: “Procurei vocês primeiro porque vocês são um jornal sério”. Não é a toa que essa empresa tem 74 anos. O papel ainda tem força, mais ainda quando tem profissionais de grande qualidade por trás e uma direção forte, atuante e incentivadora.”  

Alerrandre Barros

“Fazer jornalismo é difícil. Mais difícil do que eu imaginava quando iniciei essa carreira há cerca de seis anos. Enfrentamos forças invisíveis todos os dias nas redações, como em todos os jornais mundo afora: prazos, tempo, estruturas nem sempre adequadas, interesses políticos e econômicos que, às vezes, atravancam pautas. É pressão, mas também emoção. Não há rotina.

Por outro lado, a maior satisfação desse trabalho, para mim, no fim do dia, é a de me sentir útil por ter ajudado alguém ou a comunidade através de uma matéria. É bom ver que meu trabalho mobilizou autoridades públicas a taparem buracos nas ruas, a comprarem o remédio que falta no hospital. Comover leitores com uma história é gratificante. Registrar a história mais ainda.”


Paula Valviesse 

“O jornalismo surgiu quase que por acidente, quando descobri que com as minhas notas do Enem era possível cursar uma faculdade particular com bolsa. Avaliando os cursos existente próximos à minha cidade natal, fiquei em dúvida entre Direito e Comunicação Social. Pesquisei mais sobre cada área até tomar uma decisão. Como cada uma delas me permitia sonhar com a ideia de mudança, de construção, de auxílio na vida de outras pessoas, optei pela que me permitia ter mais liberdade de expressão.

Durante a faculdade, me questionei muitas vezes se essa era de fato a profissão que desejava seguir. A resposta veio na primeira oportunidade de trabalho, na primeira entrevista, que resultou na primeira matéria publicada. Desde então segui a carreira, experimentei outros segmentos dentro da própria área, como assessoria. Já são oito anos como jornalista, a maior parte como repórter, e como todas as escolhas que fazemos, tive meus altos e baixos, mas até hoje me emociono em saber que a informação passada por mim fez alguma diferença na vida do próximo.”

 

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