Secretaria Estadual de Educação determina início do
ano letivo, mas dois dos maiores colégios estão interditados
Indefinição e revolta na volta às aulas
Leonardo Lima
Indefinição. Esta é a palavra que melhor traduz a situação de grande parte dos alunos da rede estadual de ensino. De acordo com comunicado da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), os colégios Jamil El-Jaick (Ceje) e Galdino do Valle Filho não possuem condições estruturais de iniciar o ano letivo e seus estudantes serão alocados, temporariamente, para outras unidades de educação.
Na manhã de ontem, 7, os alunos do Ceje, por exemplo, se depararam com dois avisos na frente da escola. Num deles, um comunicado da Defesa Civil interditando o local por existir “área de deslizamento nos fundos do prédio, com várias árvores de grande porte, encontrando-se em risco de queda”. Já no outro era informado que os estudantes do ensino médio do turno da manhã haviam sido remanejados para o Ciep Glauber Rocha, em Conselheiro Paulino, onde as aulas terão início na próxima quarta-feira, 9.
Entretanto, de acordo com informações de funcionários do colégio, a situação dos demais alunos ainda não havia sido resolvida. A princípio, aqueles que cursarão o 8° e 9° anos do ensino fundamental e os cursos técnicos também deverão ser remanejados para o Ciep Glauber Rocha, nos turnos da tarde e da noite, respectivamente. Já os do ensino médio noturno provavelmente passarão a estudar no Instituto de Educação de Nova Friburgo (Ienf). Em relação aos demais, não há nenhuma orientação.
Todo esse impasse vem gerando protestos e empecilhos. Com o remanejamento, diversos alunos que realizam atividades extra-escolares já começam a se questionar se conseguirão chegar no horário das aulas, tendo em vista que muitos passarão a estudar em local mais distante de suas casas. O mesmo acontece com os professores que lecionam para diversas séries, e terão que se deslocar várias vezes ao longo do dia. Para resolver tais questões e também organizar um novo quadro de horários, diretores e educadores da rede estadual se reuniram na tarde de ontem, no Ginásio Santa Paula Frassinetti, do Colégio Nossa Senhora das Dores.
Volta às aulas deixa revoltados estudantes e profissionais de educação
Sem saber onde estudarão este ano, diversos estudantes se mostram revoltados com a indefinição. O aluno Junior Arrais, do Colégio Estadual Jamil El-Jaick, opina que a decisão do Seeduc de manter o calendário escolar foi um absurdo. “Acredito que, assim como eu, muitos alunos não vão sentir vontade de serem divididos por bairros e misturados com estudantes de outras escolas”, afirma.
Segundo ele, outro ponto se baseia na volta às aulas das instituições particulares de ensino. “Estou muito insatisfeito, pois a cidade acabou de passar por uma catástrofe e muitos lugares não têm condições de serem utilizados. Até mesmo alguns colégios particulares, que não foram atingidos, determinaram o início do ano letivo somente no próximo dia 21”, diz Junior.
Quem também manifestou descontentamento com a situação foi o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). O coordenador da unidade de Nova Friburgo, Sidney Moura, foi até o Rio de Janeiro para se reunir com responsáveis da Seeduc e tentar adiar o início do ano letivo. “Absurda a iniciativa da secretaria e de seus estúpidos burocratas. Trata-se de uma tentativa de mascarar a triste realidade de Nova Friburgo e da rede pública de ensino. Querem dar a falsa impressão de volta à normalidade”, protesta o professor de história Ricardo Costa, o Rico.
Contrariado com o remanejamento dos alunos, ele reitera que o Sepe convoca diretores e professores a não iniciarem as aulas. “Querem jogar alunos e professores para o Ienf, onde a estrutura é menor. Esta decisão só podia vir da cabeça de pessoas que não vivem a realidade da sala de aula e nada sabem sobre a situação da cidade”, critica Rico.

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