Vitória do bom senso

segunda-feira, 20 de junho de 2016
por Jornal A Voz da Serra

O ENDURECIMENTO da Lei Seca, em 2012, está surtindo efeito entre os motoristas das capitais brasileiras. Segundo a mais recente pesquisa do Ministério da Saúde, o percentual de adultos que admitem beber e dirigir nas capitais teve queda de 21,5%. No ano passado, 5,5% da população dessas cidades declararam que dirigiam após o consumo de qualquer quantidade de álcool, contra os 7% do ano de 2012. Os homens (9,8%) continuam assumindo mais a infração do que as mulheres (1,8%). Apesar disso, desde o endurecimento da lei seca, menos homens têm assumido os riscos da mistura álcool-direção: a queda foi de 22,2%, entre 2012 e 2015, na população masculina.

OS DADOS SÃO da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2015), que realizou mais de 54 mil entrevistas nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal. O levantamento é realizado anualmente, desde 2006, pelo Ministério da Saúde. Os dados são coletados e analisados por meio de uma parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP).

ANUALMENTE o sistema público de saúde registra milhares de feridos devido ao uso de bebidas alcoólicas, custando uma significativa parcela do orçamento e aumentando consideravelmente o número de hospitalizações. O sistema é sem dúvida um dos mais afetados pelas consequências desse quadro de “epidemia”. A vítima do trânsito, contudo, enfrenta problemas maiores. Ferimentos e lesões na maioria das vezes interferem diretamente na estrutura familiar, seja no quesito financeiro, ou em virtude da atenção dispensada no tratamento.

A IMPRUDÊNCIA tem sido o maior fator dos acidentes, gerando uma onda de violência preocupante. A velocidade, conjugada com a bebida, não dá certo. E não adianta a fiscalização nas estradas, pois a mesma é insuficiente para coibir a combinação. Apesar de tudo, a Polícia Rodoviária Federal aponta um aumento dessas infrações. Resultado: mais acidentes, mais prisões.

O ASSUNTO não se esgota num noticiário ou numa decisão legislativa, apenas. Faz parte do contexto moderno, no qual o automóvel se transforma num patrimônio que deve ser respeitado. O compromisso não é só da autoridade. É de cada um que senta ao volante. Este jornal reporta com frequência um grande número de atropelamentos e colisões com vítimas, provocado pelo trânsito em nossa cidade basicamente por falta de uma maior conscientização sobre os riscos que esta difícil convivência provoca.

POR SUA limitada área de circulação e o excessivo número de veículos, Nova Friburgo deve se preocupar com o tema enfrentando o problema de frente e propondo saídas mais criativas e preventivas. Para tanto, é preciso unir os poderes públicos e a sociedade numa campanha generalizada de prevenção de acidentes. Os resultados seriam imediatamente sentidos, reduzindo os riscos hoje enfrentados. É uma questão de decisão política que, se adotada, transformaria a questão não em problema maior e, sim, numa solução civilizada para os dias de hoje.

 

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