Videogame e saúde: é possível?

Por Alessandro Lo-Bianco
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Videogame e saúde: é possível?
Videogame e saúde: é possível?

A nova geração de consoles da Sony e da Microsoft estão causando uma revolução no mercado, com consequências positivas e negativas em diversas áreas. Segundo os especialistas, mais positivas do que danosas ao usuário. O Nintendo Wii foi o precursor. Ao entrar no mercado, destacou-se pelo seu controle sem fios, dotado de um acelerômetro capaz de detectar movimentos em três dimensões. Por pouco tempo, fez o fabricante voltar à condição de líder do mercado, o que não ocorria há 17 anos.

Logo depois, a Sony lançou o Playstation 3, com altos recursos gráficos e com uma placa capaz de trabalhar como o Wii, ou seja, com controles sem fios, sensíveis ao movimento do jogador, chamado de Kit Movie. E inovou o mercado com um serviço unificado e global de jogos online, conectando milhares de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Além disso, chegou com suporte a leitura de Blu-ray. Mas os “japas” nem imaginavam o quê os americanos tinham nas mangas. Isso porque a empresa de Bill Gates desenvolveu o console X Box 360 com uma plataforma chamada Kinect. Por meio desse aparelho, o jogador não precisa mais de controles e seus movimentos controlam todos os comandos do jogo. Já no Menu, como num passe de mágica, é só apontar a mão para onde deseja selecionar o cursor na tela e pronto. Resolvido o problema de milhares de jovens americanos que sofrem de obesidade em consequência dos jogos eletrônicos.

Com a chegada do Kinect por parte da Microsoft, os videogames voltaram às listas dos eletrônicos mais vendidos do mundo. E ele acertou em cheio outras gerações. Sua usabilidade é tão fácil e interativa, que pais jogam com seus filhos, avôs com netos, e até a família inteira de uma vez só. Quem tinha dificuldades para jogar apertando botões, já não fica mais de fora. Jogos de esporte, luta, tiros, tudo ganhou um novo formato. No jogo de Fitness, por exemplo, o sensor calcula sua altura, peso e índice da massa corporal, e junto a um personal trainner traça uma maratona de exercícios para você fazer, com direito a corrigir seus movimentos e calcular quantas calorias você está perdendo. Assim como no jogo de Michael Jackson, sua imagem vai para tela da TV, de forma real, e você vê (corpo e rosto) sua imagem projetada dentro da televisão dançando junto aos outros bonecos. Arco e Flecha, atletismo, boliche, vôlei de praia, aventuras e corridas de carro, skate e surf, tudo com seus próprios movimentos. Em alguns deles, você levanta os braços e anima a torcida, organiza “olas” nos estádios e, com apenas duas palmas de mão, puxa a torcida e levanta o público torcedor. E para completar, ao longo de cada jogo de Kinect, o aparelho filma e fotografa você jogando e, depois que o jogo termina, ele exibe suas imagens garantindo a gargalhada de todos.

Se o conforto do sofá era inimigo da saúde, agora é insignificante, e você ainda precisará afastá-lo da televisão a fim de obter mais espaço para ousadas performances e movimentos. E a qualidade gráfica não perde muito pra Sony, que ficou desesperada em relação ao Play 3, justamente porque sua placa central não oferecia suporte a sensores livres de qualquer tipo de controle. No mercado, todos já sabem que, àqueles que compraram a última versão do Playstation da Sony, aguardam com expectativa o lançamento do Play 4 com a nova tecnologia, já anunciado e previsto para ser lançado no início do ano que vem. Com uma nova placa, ele será capaz de ler os movimentos sem a utilização de joystick. A Sony tentou, em tempo recorde, fazer o lançamento de jogos 3D para o Playstation 3, não oferecido ainda pelo X Box 360, mas as vendas continuaram declinando cada vez mais, o que forçou uma forte redução no preço do console. Ao lançar a tecnologia do Kinect, a Microsoft não imaginava o que estava proporcionando ao mercado tecnológico.

Médicos da Sunnybrook Sciences Centre estão usando a tecnologia do Kinect, com o próprio X Box 360 para resolver um dos problemas que mais afligem as salas de cirurgia: a higienização de equipamentos e profissionais. Os médicos ainda dizem que, se bem aplicados, o equipamento da Microsoft pode revolucionar diversos procedimentos na área de saúde. “O problema é que os médicos às vezes têm que pisar dentro e fora da área esterelizada para coletar informações adicionais sobre o estado de um paciente em cirurgia”, diz Denise Amrich, enfermeira e consultora de saúde do Instituto US Strategic Perspective, em reportagem da rede CBS. O Kinect ajuda os profissionais de saúde, ao tornar desnecessárias as sucessivas revisões dos scanners feitos durante o processo operatório, através de um programa projetado por um dos engenheiros de software do hospital. Antes, era necessário que eles saíssem da sala de cirurgia para rever e coletar novas informações sobre o paciente. “Somos capazes de trazer esse computador como se fosse o último membro de nossa equipe, no campo de trabalho da sala de cirurgia”, explica o Dr. Calvin Law, cirurgião de fígado no hospital Sunnybrook.

Em junho, o diretor de pesquisa da Microsoft, Craig Mundie, afirmou em uma conferência médica, como a tecnologia de rastreamento de movimentos do Xbox 360 pode ajudar o modo de se fazer cirurgia, com a possibilidade de pacientes assistirem terapias em grupo de forma anônima, com os avatares da Xbox Live no lugar das pessoas. Segundo o executivo da área de entretenimento da empresa, essa é apenas uma das milhares de vantagens que a tecnologia oferece. De acordo com ele, “vocês nem imaginam o que preparamos para os próximos cinco anos. Para fãs de videogame, principalmente, aguardem formas de jogar que até mesmo nós duvidamos que seríamos capazes de fazer funcionar. O sistema de reconhecimento corporal do Kinect será estendido para outras áreas e tecnologias, que deixarão todos com vontade de viver, pelo menos, 200 anos. O mouse e o teclado, tanto para celulares ou para simples funções como ligar e controlar seu microondas, não será mais necessário. Apenas com movimentos das suas mãos, vocês controlarão as televisões, seu chuveiro, seu ar-condicionado, a iluminação da sua casa e muito mais. Ainda não lançamos tudo que temos planejado, mas, para nós, mouse já virou coisa da época dos dinossauros”.

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