Viciados em tecnologia: nomofobia afeta quem fica sem acesso a equipamentos tecnológicos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
por Jornal A Voz da Serra

Amine Silvares

O medo de não participar da vida on-line ou de não ter como se comunicar através de um aparelho de comunicação móvel, seja por voz, ganhou nome: nomofobia. A palavra é nova e veio do inglês. “No Mobile”, algo com o “sem telefone”, virou “No-Mo”, que se transformou em nomofobia ou o medo de ficar sem comunicação móvel.
Para quem trabalha com tecnologia, ficar desconectado é praticamente impossível. O designer gráfico Vitor Martins contou que possui um smartphone, um notebook e um desktop e que pretende comprar um tablet em breve. “Levando em conta que eu passo umas oito horas dormindo, as outras 16 eu estou conectado. Às vezes não estou diretamente on-line, mas se alguém me chamar no Facebook ou no Whatsapp eu vejo e respondo na hora. Essa coisa dos smartphones e da internet 3G facilita muito essa “conexão em tempo integral”. Quando eu acordo, já pego o celular pra ver o que ele tem pra mim, sempre antes de dormir dou uma última conferida”, conta.
A jornalista Priscilla Franco comentou que utiliza a internet para trabalho e lazer, e que é difícil abandonar o vício. “Eu me esforço para ficar sem internet de vez em quando, para poder curtir um pouco da vida offline. Mas se por um acaso isso se estende por mais de 24 horas tenho a sensação de estar perdendo alguma coisa importante, fico entediada e mal-humorada”, relata.
Estar conectado virou algo normal. No computador de casa ou do trabalho, pelo laptop, smartphone ou tablet, a internet se tornou parte do dia a dia. Quase tudo pode ser feito através destes equipamentos eletrônicos, de compras a transações financeiras, passando por negociações de trabalho e relações afetivas. Num mundo em que quase tudo está há um clique de distância, estar desconectado pode causar até depressão.
O vício em internet, é claro, não é saudável. A psicóloga Karla Glória explica que “usar a internet pode ser uma maneira de escapar de sentimentos perturbadores. Para algumas pessoas que sofrem de baixa autoestima e dificuldades de interação social, a possibilidade de interagir anonimamente pela internet se torna atraente, pois pode ser uma tentativa de superar o que elas percebem como uma inadequação”. A tecnologia e a internet acabam funcionando como paliativos para problemas da vida real. “Em geral, uma pessoa dependente acessa a internet para aliviar um sentimento doloroso, evitar o problema real e deixar as coisas como estão. Quando se desconectam, percebem que suas dificuldades não mudaram. O dependente escapa temporariamente do problema, mas não o resolve”, finaliza.
Para o tratamento é aconselhável se afastar da internet usando outras ocupações. “É importante que a pessoa faça mudanças positivas e permanentes em seu estilo de vida excluindo a internet. São estimuladas atividades prazerosas que não incluam o computador, como passatempos offline, reuniões sociais e atividades com a família.”

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