Vereadora eleita para primeiro mandato quer atuar na área social

Nazareth Catharina gosta de ouvir, conhecer, ponderar, e só então decidir
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
por Ana Borges
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)

Ela fez campanha como Nazareth Geninho. Eleita, prefere adotar o próprio nome, Nazareth Catharina, com o qual pretende ficar conhecida a partir de 1º de janeiro de 2017, quando assume a vaga conquistada na Câmara de Vereadores de Nova Friburgo, pelo PRB. Casada com o ex-vereador Geninho, atual presidente do partido no município, sua candidatura ao legislativo foi incentivada pelo marido, familiares, amigos e vizinhos. Moradora de Campo do Coelho há mais de dez anos, é membro da Igreja Universal, há quase 30.

Aos 65 anos, mãe de três filhos adultos, incluindo Jaqueline, adotada, uma neta já casada, a dona de casa Nazareth inicia a carreira de vereadora, nem tão desconhecida - graças aos três mandatos do marido, mas sem exercer qualquer cargo. Aliás, confessa, “nunca gostei de política, mesmo quando meu marido era vereador, me mantinha afastada”. Fora de suas tarefas como esposa, mãe e dona de casa, esteve envolvida com as questões sociais desenvolvidas na igreja, que, aliás, ressalta, “há uns 20 anos não tem um representante na Câmara”.

“Meu marido sugeriu, membros da igreja insistiram, embora, no início, eu resistisse. Afinal, nessa altura da minha vida, aos 65 anos, vivendo com tranquilidade, ia me meter logo em política, que nunca me atraiu? Mas os argumentos foram me (con)vencendo. Meu filho, que é pastor, disse que era um chamado de Jesus, e entre outras formas de convencimento, acabei concluindo que talvez conseguisse fazer muito mais do que fazia, tendo um mandato legislativo”, explicou.

Nazareth Catharina conta que o trabalho social que os seguidores de sua religião fazem tem muito a ver com questões relacionadas à justiça, um serviço do qual os mais carentes dependem “enormemente do poder público”. E pensa que “a maioria dos políticos visa mais o poder, enquanto a população precisa mesmo é de solução para seus problemas. Já os evangélicos se preocupam mais com as causas populares, com o amparo que podem dar a seus representados, afinal, somos as pessoas nas quais os eleitores confiaram, somos os candidatos em que eles depositaram as suas esperanças”, avaliou.

Além dos cuidados com os membros carentes da igreja, ela visita pacientes no Raul Sertã, atende pessoas em casa, enfim, faz o que é possível para ajudar. Agora, eleita, acredita que vai poder mais. “A partir do momento em que decidi me candidatar, me empenhei pra valer na campanha”, revelou, ao mesmo tempo que lembrou que é mexendo na terra, cuidando de suas plantas e flores, que relaxa. “Cuido do nosso jardim desde que nos mudamos para Campo do Coelho, e agora, mais do que nunca, é lá que ponho minhas ideias em ordem. Plantando, podando, tirando mato, me fortaleço”, diz, ao que a filha Jaqueline, sua assessora, completa: “Ela não deixa ninguém mexer, só ela bota a mão naquele jardim”, conta, divertindo a mãe.  

Um perfil revelador

Nazareth Catharina acredita que herdou votos do marido, mas tem certeza que angariou a maior parte por seu próprio desempenho e pelo seu longo e destacado trabalho social. Ciente de que é pouco conhecida pela população, em geral, e que, portanto, teria um eleitorado restrito, quando se decidiu pela candidatura, arregaçou as mangas. Se considera aquele tipo de pessoa que aceita desafios, mas não entra de cabeça em nada. Gosta de ouvir, ponderar, é cuidadosa com as palavras, no contato com as pessoas e com os convites que recebe. Para essa entrevista, pediu um tempo para “organizar as coisas” antes de marcar data. E pontualmente chegou à redação, avisando que precisava sair às 14h30 porque tinha uma entrevista na TV Zoom, às 15h. Detalhista e comprometida.

Quanto ao marido, qual será o papel dele na sua atuação na Câmara? Geninho vai assessorar você, vai ter uma função definida no seu mandato? “Não. Ele cumpriu três mandatos, teve o tempo dele na vida pública, está aposentado, embora não totalmente, porque ainda tem suas lutas dentro do partido que preside. Mas ele não quis se candidatar, apostou em mim, me ajudou na campanha, exerceu um papel importante nessa caminhada. Agora, cabe a mim essa missão embora reconheça que não se abre mão de uma experiência como a que ele acumulou em tantos anos de prática. Vou ouvi-lo, pedir conselhos quando achar necessário. Resumindo, sempre poderei contar com ele nos bastidores”, admitiu.   

Segundo ela, a união de seus pares em torno de sua candidatura foi fundamental para sua eleição. “Devo essa vitória a cada um deles”, comentou Nazareth, acrescentando que foi graças ao resultado alcançado que descobriu o quanto era respeitada em seu meio. Até então, encarava suas atividades apenas como algo que tinha que ser feito e mais, que muita gente, como ela, fazia o mesmo. O único diferencial foi o “chamado” e a disposição para assumir o desafio de uma vaga no legislativo. “Isso não quer dizer que foi tudo tranquilo, que topei e pronto. A gente se assusta com o assédio, os pedidos, ter que dizer ‘não’. Quem dera eu pudesse atender a todos, mas sei que não adianta prometer o que não vou poder cumprir. E nisso faço questão de ser muito clara, não vou enganar ninguém. Não sou assim”, esclareceu, com firmeza.  

Para reforçar a fala dessa nova mãe, Jaqueline frisou que a campanha de Nazareth foi limpa e ética, baseada em trabalho. “Sendo como sou e evangélica, respeito os parâmetros que a minha consciência e convicções impõem. Durante a campanha percebi que algumas pessoas não reagiam bem quando eu não me comprometia com isso ou aquilo. Mas não posso prometer emprego, garantir cargos. Pretendo me cercar de pessoas preparadas que me ajudem nessa missão e não de gente que possa me criar problemas. Além disso, faz parte do nosso trabalho avaliar projetos de lei, propostas, ouvir todo mundo. Exige-se muita concentração e quero participar de fato dos acontecimentos da Câmara”, esclareceu.

Procurar saber para entender

Para a vereadora eleita pela coligação PRB/PTB/PTdoB - Fidelidade e Compromisso, dialogar é importante, “principalmente num momento como esse, de tantas dificuldades para para o município”. Fosse quem fosse o prefeito, no caso, o eleito Renato Bravo, Nazareth Catharina se mostra disposta a ouvir, para concordar ou não, com as propostas do executivo e dos futuros colegas. “Serei fiel ao que penso, no que acredito. Não importa quem for o autor, me interessa se será bom para a cidade, para a população. Vou analisar segundo meus critérios, e o que não ficar claro pra mim, vou procurar saber, para entender”, afirmou.     

Estudar não vai ser problema para ela, que está animada com a nova fase em sua vida. “Sei que tenho muito para aprender, conhecer as leis, pesquisar, estudar muito para estar preparada para defender meus pontos de vista. Mas sou prática e objetiva, o que tenho que fazer, faço. Isso não quer dizer que eu seja impetuosa, que me deixo levar com facilidade, pelo contrário. Quero dizer é que só decido depois de pensar, analisar. E como já estou nessa nova empreitada, isso significa que a minha linha de conduta está traçada. Está tudo na minha cabeça, mas não tenho a ilusão de que será fácil. Apesar disso, sou uma pessoa confiante, tenho muita fé e com a ajuda das pessoas que me cercam e de Deus, vou fazer um bom trabalho”, reafirmou.     

Aliás, um detalhe de sua maneira de ser que se destaca é o fato de Nazareth Catharina falar pouco, quase sempre entre sorrisos e abrindo espaço para dar voz à assessora. Que não perde a oportunidade e vai logo avisando que ela não é mesmo muito de falar, é mais de agir. “Ela tem esse jeito meio quieto, que muita gente pode confundir com insegurança. Nada disso, embora inseguranças faça parte da natureza humana, todos temos as nossas. Mas é como ela aproveita para observar, conhecer o interlocutor, o ambiente, o chão que está pisando. Sabe aquele “olha, onde pisa!”?  Pois é, literalmente falando, isso resume a personalidade dela, que é forte sem ser autoritária”, elogia Jaqueline, sem meias-palavras.

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