Verão: perigo nas estradas

terça-feira, 27 de dezembro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A CHEGADA do período festivo de ano-novo e das férias acende o sinal de alerta nas rodovias brasileiras diante do elevado volume de acidentes graves, quase todos com vítimas fatais. Nem todo rigor da legislação, com aumento no valor das multas, ampliação da fiscalização eletrônica e realização de operações pelas polícias rodoviárias Federal e Estadual tem sido suficiente para reduzir essa tragédia. 

ESTUDO realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que o Brasil registrou aumento de 50,3% no número de acidentes em rodovias federais nos últimos 10 anos. Mais grave: o número de mortes cresceu 34,5% e o de feridos registrou aumento de 50% neste período. Somente no ano passado, cerca de oito mil pessoas perderam a vida e outras cerca de 100 mil ficaram feridas em 169 mil acidentes registrados somente nas rodovias federais, volume que mais que triplicaria se fossem computadas as ocorrências nas rodovias estaduais, que são em maior extensão e em piores condições de segurança.

O BRASIL registra hoje uma média de 463 acidentes por dia somente nas rodovias federais, com uma média diária de 23 mortes. O estudo revela que apesar dos automóveis estarem envolvidos na maior parte dos acidentes nas rodovias, as ocorrências envolvendo motocicletas são proporcionalmente mais letais e respondem por cerca de 18% do total, mas em termos de mortes, respondem por 30% do total e 40% de todas as lesões graves registradas nas rodovias federais.

OUTROS fatores que contribuem para essa tragédia diária são a desatenção dos motoristas, ingestão de bebidas alcoólicas e desrespeito às regras de trânsito, de forma que o fator humano ainda aparece como o principal culpado pelo volume de acidentes. Se nas rodovias a situação é crítica, no trânsito em geral ela é caótica, tanto que em 2014 foram registradas 48.349 mortes nas ruas e estradas, o maior volume em 20 anos.

O FATO É que parte considerável desses acidentes pode ser creditada à péssima qualidade das rodovias brasileiras. O último levantamento realizando pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que apenas 12,6% da malha rodoviária brasileira podem ser classificadas como ótimas; 30% foram classificadas como boas; 30,5% ficaram como regulares; 18,1% aparecem como ruins e 8,8% estão em péssimas condições de trafegabilidade. 

EM LINHAS gerais, o resultado da avaliação foi péssimo e eleva o risco de tragédias. Devemos, portanto, ter mais cuidado na direção, evitando-se o aumento das preocupantes estatísticas apresentada atualmente.

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