Carlos Emerson Junior
Tenho um amigo que acredita e afirma: o maior problema do Brasil é falta de transparência. E isso não é de hoje não, começou quando Cabral aqui aportou e enrolou os índios trocando espelhinhos por ouro. De Dom João VI até a Dilma, incluindo aí governadores de capitanias hereditárias, interventores do Estado Novo, deputados imperiais e republicanos, prefeitos, vereadores, condes, coronéis, senadores, barões e demais funcionários dos governos em geral, não importa de que tipo, são culturalmente avessos à transparência e nós sabemos muito bem por quê.
O problema – para eles, é bom deixar bem claro – é que os tempos mudam e tentar ocultar ou, está bom, esquecer de passar uma informação quando ela está a um clique de mouse de nossos dedos, é uma temeridade. Aliás, é inegável que a tecnologia vem provocando uma verdadeira revolução nas relações do poder com a população, ainda mais se lembrarmos que há apenas 60 anos (um nanossegundo em termos de História), o meio mais confiável e rápido de se comunicar era o telégrafo.
Hoje todos tem um site, blog ou página em alguma rede social. Os jornais e suas edições eletrônicas, a televisão e o rádio completam o quadro, onde o cidadão com o seu laptop, tablet ou até mesmo smartphone, consegue ter a acesso instantâneo a tudo o que acontece no mundo. No entanto, é bom ter cuidado e filtrar o que está lendo (ou vendo), tendo em mente que a desinformação é a mais antiga arma contra a liberdade de expressão e o direito à informação.
Em um ótimo artigo sobre a Lei Complementar 131, que determina que todos os 5.568 municípios brasileiros devem ter as suas contas disponibilizadas na internet e já em vigor desde o ano passado, o economista Gil Castelo Branco, presidente da ONG “Contas Abertas” é taxativo:
“Os políticos gostam de muita transparência, mas nos governos dos adversários. No entanto, se os recém-eleitos ou reeleitos quiserem mesmo ser transparentes, deverão colocar nos sites de suas cidades as agendas diárias, os plantões dos médicos nos hospitais, o que a prefeitura comprou, por quanto, de quem, em que quantidade, o nome dos funcionários públicos com os respectivos cargos e salários, entre muitas outras informações relevantes para o controle social.”
A verdade é que os eleitores, é bom frisar sempre, não estão mais dispostos a aceitar decisões tomadas a quatro portas, como nas eras de antanho, para falar de forma bem antiga. Pelo contrário, a participação da sociedade é essencial para o aprimoramento das cidades e nós, moradores, trabalhadores, turistas ou simples veranistas, temos a obrigação de fiscalizar, cobrar e participar. Ficar alheio é, no mínimo, ser cúmplice de possíveis malfeitos!
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Falta de informação, seja onde for, sempre leva a mal-entendidos e provoca desgastes desnecessários. Uma árvore enorme em Copacabana, um Açacu com quase a idade do bairro, protegida de corte por um decreto municipal, foi motivo para um conflito entre os moradores da rua e funcionários da Comlurb que pretendiam derrubá-la. Em Nova Friburgo, a retirada sem aviso-prévio dos leões do pátio externo do prédio da Prefeitura para restauração, provocou idêntica reação, principalmente nas redes sociais.
Um bom governo, meus caros amigos, se faz com planejamento, probidade, ações concretas e muita transparência. Simples, não é mesmo?
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E já que estamos falando em transparência, alguém pode me explicar, de forma bem didática ou até mesmo desenhando, como é que pode um estádio de futebol, construído por três grandes empreiteiras brasileiras pela bagatela de 380 milhões de reais, ser interditado com apenas 6 anos de uso? É claro que estou falando do Engenhão, considerado, em 2007, a “cereja do bolo” das instalações dos Jogos Pan-americanos no Rio.
Além da falha estrutural, o jornalista Renato Maurício Prado, em sua coluna no O Globo, cita mais os seguintes problemas: “material de construção vagabundo, sistema elétrico deficiente, parte hidráulica em condições deploráveis, telões de quinta categoria e por aí vai. Quanto mais se mergulha na nebulosa história da sua construção, mais se evidencia a escandalosa irresponsabilidade de nossos políticos e dirigentes esportivos”.
Como perguntar não ofende: quem será que vai pagar essa conta? Cartas para a redação!
carlosemersonjr@gmail.com
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