Torneio da corrupção

domingo, 31 de maio de 2015
por Jornal A Voz da Serra
O SENADO aprovou quarta-feira, 27, a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações da CBF. O requerimento foi feito pelo senador Romário (PSB-RJ), mediante a assinatura de 54 parlamentares, o dobro do necessário. Em um pronunciamento na bancada da Casa, o parlamentar mais uma vez atacou os dirigentes do futebol brasileiro, principalmente José Maria Marin, vice da CBF, preso em Zurique.

Os clubes brasileiros devem mais de R$ 4 bilhões em tributos, INSS e FGTS
A PRISÃO DE sete dirigentes da Fifa, na manhã da última quarta-feira na Suíça, pode ter sido o fato que faltava para delimitar o fim do longo período de impunidade nas altas esferas do futebol mundial e o começo da moralização das atividades do esporte que mobiliza multidões.

COMEÇA A ser aberta a caixa-preta da corrupção, a partir de investigação iniciada pelo FBI em 2011, que identificou irregularidades nos contratos de publicidade, de marketing e televisionamento das competições entre as quais as Copas vindouras da Rússia, em 2018, e do Catar, em 2022. Os policiais suíços agiram a pedido do FBI, a polícia federal norte-americana, que constatou corrupção em contratos com parceiros comerciais e escolhas de sedes de eventos desde 1991. 

A PROCURADORA dos EUA, Loretta Lynch, falou em “máfia” e em “corrupção generalizada”, ao anunciar ao mundo sobre a investigação conduzida pelas autoridades daquele país. O esquema ganhou a alcunha de “Copa do Mundo da fraude”. E surgiu a promessa de que as prisões eram só o início de uma investigação que ainda corre e quer “limpar o futebol mundial”.

HÁ INDÍCIOS de negociatas na escolha das sedes das competições, entre outras fraudes que envolvem também o futebol brasileiro, na figura do ex-presidente da CBF José Maria Marin, um dos detidos durante o evento para escolha do novo comando da Fifa. Confirmam-se as suspeitas que constrangem o futebol mundial há mais de duas décadas. São muitas as evidências de que as competições estão contaminadas por delitos, pelo rodízio dos mesmos dirigentes e pela falta de transparência.

SÃO PRÁTICAS disseminadas na estrutura futebolística mundial. Recentemente, a imprensa especializada do país denunciou que até as escalações da Seleção são submetidas aos interesses de um acordo comercial. Desorganização e irregularidades formam o ambiente propício ao descalabro de gestões amadoras e inescrupulosas. Tanto que os clubes devem mais de R$ 4 bilhões em tributos, contribuições previdenciárias e FGTS. 

A AÇÃO DOS investigadores suíços e americanos é um marco para a total reforma do futebol e inspiração para iniciativas semelhantes nas estruturas de poder de outros esportes. 

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