Eloir Perdigão
O Tingly é um desses bairros pequenos, limpos, tranquilos, com muito sossego e cercado de muito verde. Deu vontade de morar? Mas isso não é tudo. A maior carência do bairro é a falta de uma escola, nem que seja a básica, até o quarto ano do ensino fundamental. As demais deficiências, por não ser longe do centro da cidade, vão sendo contornadas pela comunidade.
O sossego e a paz do Tingly atraíram o publicitário João Mello, que explora o serviço de propaganda volante da cidade. Envolvido com seu trabalho o tempo todo, João admite que não tem muita participação na comunidade, apenas reclama das condições do asfalto nas vias do bairro, cheio de buracos. Ele gosta do bairro, dos vizinhos e principalmente da tranquilidade, do silêncio, o que, aliás, o fez mudar de Olaria para o Tingly. “Aqui eu gravo até de portas abertas”, enfatiza.
O Tingly fica a pouco mais de dois quilômetros do Centro, seguindo pelas ruas Monsenhor Miranda e Casimiro de Abreu, logo depois do Colégio Nossa Senhora das Dores e Faculdade Santa Dorotéia. O asfalto da via de acesso está esburacado, bem como as demais ruas do bairro. Um micro-ônibus serve à comunidade a cada hora e é um serviço elogiado pelos moradores, bem como água, energia elétrica, iluminação pública e limpeza. O sinal de televisão é bom; táxis e entregas de gás são serviços prestados satisfatoriamente.
LAZER
O público jovem tem uma reclamação específica: o Tingly não tem área de lazer decente. O único campinho do bairro é improvisado. Nem traves têm. Além disso, a juventude só consegue mesmo soltar pipa, se o vento ajudar, claro. A mercearia da Isanete e do Antônio, único estabelecimento do bairro, garante o básico para quem não se dispõe a ir ao Centro fazer compras. Ali os homens têm diversão jogando sinuquinha, tomando cerveja ou refrigerante, puxando um fio de prosa. Já as mulheres...
O CENTRO COMUNITÁRIO
A maior reivindicação no Tingly é a construção da escola, desativada sob a alegação de que funcionava em local inadequado, no Centro Comunitário Carlos Augusto Asth, avô do presidente da associação de moradores, que tem o mesmo nome. Ali funciona também a Capela Nossa Senhora de Fátima, da Paróquia São João Batista, do Centro, e o grupo de Alcoólicos Anônimos.
A escola já teve cerca de cem alunos, que em sua maioria foram sendo transferidos, principalmente para o Jardim de Infância Eliza Teixeira de Uzeda, Colégio Estadual Jamil El-Jaick e Escola Municipal Jardel Hottz, no bairro Braunes. E todos são unânimes em afirmar que a escola faz muita falta, até porque os alunos menores têm que ser acompanhados pelos pais para estudar e os educandários ficam fora de mão para todos.
A Capela Nossa Senhora de Fátima se mantém no centro comunitário graças à participação de um grupo de fiéis ativos, que se reúnem duas vezes por semana, para encontros às quartas-feiras e celebrações aos domingos, além de conseguirem padres para a missa uma vez por mês. O trabalho dos Alcoólicos Anônimos todos conhecem, fazendo com que muitos abandonem o hábito da bebida. O bairro tem também outros dois templos da Igreja Assembleia de Deus.
AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES
Os moradores anseiam pela construção da escola, até porque o projeto prevê também uma quadra esportiva, que poderá servir de lazer para a comunidade. De acordo com o presidente da associação de moradores, Carlos Augusto Asth, a falta da escola desmotivou os moradores até mesmo de participarem da associação.
O terreno para a construção da escola já existe. Foi doado pela família Galiano das Neves especificamente para esta finalidade. Carlos Augusto diz que através da associação foi conseguido que o governo municipal anterior aprontasse um projeto, o que animou a comunidade, que logo após se frustrou, porque a construção não foi feita. Com o atual governo municipal, Carlos Augusto alega não ter conseguido tratar do assunto.
O presidente da associação sugere à Secretaria de Educação localizar o projeto e iniciar a construção onde hoje se situa o campinho. Outra hipótese é a instalação da escola novamente no centro comunitário (que hoje em dia já tem melhorias e ampliação), a fim de que o terreno fique para uma área de lazer.
Carlos Augusto elogiou o trabalho dos integrantes da Loja Maçônica Jacques de Molay, que tem sua sede no Tingly e ajudam com recursos, atuaram na legalização do terreno do campinho e da futura escola, cedem advogados, já foram providenciaram cadeira de rodas e cestas básicas. A equipe feminina da Jacques de Molay doou um equipo dentário, que aguarda a cessão de um local para funcionar, juntamente com o atendimento médico.
Através da associação, Carlos Augusto mobilizou a comunidade local e conseguiu, com recursos oriundos de uma festa, implantar redes de águas pluviais e de esgoto na Rua Rio Tocantins, custeando, inclusive, os serviços da máquina que abriu a rua. Depois, com a Prefeitura, foi conseguido o asfalto.
Carlos Augusto crê que assim que for construída a escola, a comunidade, que anda um tanto afastada, volte a participar da associação de moradores e a reivindicar seus direitos.
EXTINÇÃO e REVITALIZAÇÃO
A secretária municipal de Educação, Ledir Porto, comentou que a escola do Tingly foi extinta pelo governo anterior com a alegação de que havia apenas sete alunos estudando, que foram automaticamente reencaminhados a outros educandários.
Mas há possibilidade da revitalização da escola, desde que haja demanda de alunos. Ledir se dispôs, inclusive, a receber a diretoria da associação de moradores para tratar do assunto.

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