The Fool

Por Piscilla Franco
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
The Fool
The Fool

Não tenho o que dizer sobre os últimos anos. Não publiquei nenhum livro, não fiz viagens internacionais, não ganhei nenhum prêmio. Quem não me viu nos últimos tempos nem precisa perguntar por novidades. Tenho sido uma espectadora do mundo, acompanhando espetáculos, crises e tragédias. Episódios que me comovem, e não haveria maneira de ser indiferente. Contribuo com sarcasmo, ironia, graça, um pensamento, uma frase, uma opinião. Coisas pueris, que se desfazem ao vento.

Pare por aqui você que acha que lê o desabafo de uma pessoa derrotada. Feche a página, clique em um link qualquer. Sou paciente, uso a escada enquanto outros sobem de elevador panorâmico. Mas tenho certeza de que os dois caminhos levam à cobertura, ainda que seja do Word Trade Center em pleno 11 de setembro.

Não, hoje é dia 15, vamos esquecer o terrorismo. Quero pensar nos desafios pulsantes que me enchem de desejo nesta manhã de aniversário. De uma maneira estranha, acordei com 25 anos. Já não sou tão jovem e posso contabilizar erros e acertos, mas não sou tão velha para encerrar esta conta.

Fiz esse texto para falar um pouco sobre a minha gana de viver, e da sensação estranha de tempo perdido, como se todas as outras pessoas participassem de uma festa para a qual não fui convidada. Imaginei que talvez alguém compartilhasse deste sentimento, e tivesse uma explicação coerente para isso.

Quando eu nasci, ainda existia uma palavra engraçada: “permanente”. Era até um penteado muito famoso. Hoje nada é permanente além das escovas progressivas. O mundo explode de maneira frenética, todos os segundos, e talvez seja impossível acompanhá-lo, mas eu tento. E de tanto me especializar em generalidades, não mantenho meu foco em nada, e é até difícil manter firme a agulha que tece esta linha de raciocínio. Entende a minha frustração?

Mas não derrapo na curva, não me abalo, não me deprimo. Levo a vida com suavidade, um sorriso no rosto e sempre com o pé no caminho. Parece impossível abraçar o mundo para quem não cresceu mais que um metro e sessenta, mas insisto em esticar os bracinhos.

Chego a este parágrafo sem ter o que dizer. A mensagem ficou acima, tão incompleta quanto eu. Posso continuar escrevendo pelos próximos 25 anos, mas isso me impediria de experimentar tudo o que eu ainda pretendo (seja lá o que for). Então, se você chegou até aqui comente com mais do que felicitações por mais um inverno (já que nasci antes da primavera), deseje-me sorte para encontrar o que busco há exato quarto de século...

Busca, desapego, impulso, excitação.

“No louco, tudo é leve e solto. Isto pode trazer inquietação e atividade, pode trazer mudanças àquilo que está estagnado. O cão tenta avisá-lo do precipício que tem à frente, mas parece que ele nem percebe, por estar distraído a olhar a borboleta, livre. Simboliza o desligamento da matéria, uma história a ser vivida, continuar vivendo a vida sabendo que algo surpreendente poderá acontecer e aceitar esse fato despreocupadamente. O acaso irá resolver tudo. Pode ser interpretado como despreocupação, curiosidade de experimentar coisas novas ou até mesmo um pouco de confusão. Também pode significar que o Louco partiu em busca de algo que procurava, como um desejo que de repente extravasa, uma busca que foi sufocada durante muito tempo. Geralmente o conselho é seguir a espontaneidade e estar aberto para tudo aquilo que a vida tem a lhe oferecer. Deve-se aceitar que você é um aprendiz da vida.”

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