Embora sua casa, no bairro de Vargem Grande, não tenha sofrido nenhuma avaria, a cabeleireira Luciene Bazílio ficou impossibilitada de trabalhar. A queda de uma barreira próxima a seu salão, nas Braunes, impediu que ela mantivesse seu estabelecimento funcionando. Entretanto, Luciene é uma das muitas pessoas que, mesmo em momentos difíceis, encontrou força para ajudar as vítimas da tragédia que devastou a Região Serrana do Rio. “Assim que aconteceu a catástrofe, pensei: ficar em casa de braços cruzados não vai resolver nada. Então me prontifiquei a ajudar os necessitados e, desde então, ajudei a descarregar caminhões no GPH, fiz contatos, viabilizei cestas básicas, entre diversas outras coisas”, afirma.
Mesmo com centenas de voluntários espalhados pela cidade e diversas regiões do país enviando mantimentos, Luciene ressalta que todo apoio não pode diminuir daqui para frente. “Hoje os holofotes estão todos voltados para Nova Friburgo. Gostaria que isso não se acabasse. O que aconteceu aqui não foi uma festa, e sim, uma tragédia. Não podemos abandonar nossa cidade. Aconselhe seu vizinho a ficar aqui. Temos que ter fé e nos unir para reconstruirmos Nova Friburgo”, diz.
Como recado para a população, a voluntária solicita que as pessoas só peguem mantimentos caso realmente necessitem. Além disso, reitera a importância das pessoas se mobilizarem neste momento. “É importante todos doarem. Quem não tem dinheiro, um agasalho, um alimento para dar, pode confortar o próximo com uma palavra de apoio. Tenho certeza de que ajudei muitas pessoas dessa forma. Que cada um tenha também esse espírito voluntário”, diz Luciene.
E não foi só Luciene que se mobilizou a ajudar em sua família. Seu marido, o subsecretário municipal de Esportes, Rui Silva, conseguiu de uma amiga R$ 50 mil em doações. “A Lea Manela, esposa de um ex-prefeito do Rio, não falava com o Rui há 30 anos, mesmo assim, quando tomou conhecimento dessa tragédia conseguiu entrar em contato com ele e fez questão de enviar doações”, revela.
Segundo Luciene, a mobilização do marido chegou a deixá-la preocupada num primeiro momento. “Ele não para. O celular dele fica ligado 24h. Uma vez falei: Rui, assim você não vai conseguir nem dormir. E a resposta dele foi que não pode deixar de ajudar as pessoas em nenhum momento. O Rui é português, veio para cá com 5 anos e adotou Nova Friburgo. Nossa cidade vai voltar a funcionar como antes”, acredita Luciene, sem esconder sua esperança por dias melhores.
A ajuda que veio do Rio
Em meio à catástrofe e às centenas de milhares de donativos que chegam de todas as partes do Brasil, o voluntariado é também motivo de muita alegria. É o caso do publicitário carioca Raphael Costa, 28 anos, que deixou suas atividades em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde mora, e está desde o dia 17 se desdobrando em trabalhos voluntários.
Esta é a primeira vez que ele se envolve neste tipo de atividade, e fala de sua satisfação: “Me sensibilizei com a tragédia que aconteceu na cidade, fiquei perplexo com as cenas que a imprensa mostrava e decidi que tinha que fazer alguma coisa. Larguei tudo no Rio de Janeiro e me desloquei para Friburgo. Estou muito feliz, porque, além de poder ajudar, fiz novas amizades, conheci autoridades nacionais e, com isso, doei um pouco de mim”, afirma o rapaz.
O primeiro contato de Raphael com a tragédia foi através do twitter. “Eu estava tuitando no @leisecarj e fiquei sabendo que estavam arrecadando alimentos. À medida que o tempo passava, as notícias aumentavam. Fiquei preocupado e acabei me oferecendo”, diz Raphael.
Ele mora com os pais, telefona todos os dias para eles e está alojado no prédio da Oi, em frente à Prefeitura, e não se incomoda com o tipo de trabalho. Ele só quer ajudar e pode ser encontrado no twitter: @raphaelscostarj.

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