Só com receita médica!

sexta-feira, 25 de março de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Só com receita médica!
Só com receita médica!

Leonardo Lima

Desde o fim de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que os antibióticos só podem ser vendidos com a apresentação de receita médica em duas vias. A medida visa evitar o uso indiscriminado do medicamento e também conter o avanço dos casos de contaminação pela chamadas superbactérias. Segundo a farmacêutica Maria Luiza Pimentel, a venda do produto caiu consideravelmente desde a nova determinação.

— Muita gente vem encontrando dificuldades para marcar uma consulta. Para quem tem plano saúde é mais fácil. Se você precisa do medicamento naquele momento, mas só vai ser atendido no mês que vem, não adianta nada — explica.

Segundo ela, a medida trouxe, por outro lado, uma série de vantagens aos pacientes.

— Existe um maior controle, a pessoa não fica se automedicando, o que pode ser prejudicial à saúde. Às vezes, o paciente vem a farmácia, fala o que está sentindo, mas não é a mesma coisa que um exame clínico, que é necessário — ressalta Maria Luiza. De acordo com ela, o maior controle evita que o cidadão tome medicamentos para outras doenças que não possui.

— Não vemos apenas do ponto de vista comercial, em primeiro lugar vem a saúde do cliente. O antibiótico de uma infecção de garganta não é o mesmo de uma infecção urinária. Isso pode ser muito perigoso — destaca.

Maria Luiza também revela que muitas pessoas que não conseguem adquirir a receita médica tentam substituir o antibiótico por outros medicamentos, porém, isso não resolve o problema.

— Dependendo do quadro, a demora em conseguir uma receita pode agravar a situação do paciente. Muita gente toma anti-inflamatórios, mas só mesmo o antibiótico vai eliminar a bactéria — informa a farmacêutica.

A nova determinação da Anvisa vale atualmente para 93 tipos de substâncias antimicrobianas que compõem todos os antibióticos registrados no Brasil. Estão de fora da lista os antibióticos usados exclusivamente em hospitais. Curiosamente, até mesmo cremes vaginais que contenham alguma dessas substâncias também só podem ser comercializados mediante prescrição médica.

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