Semana sombria

quinta-feira, 16 de abril de 2015
por Jornal A Voz da Serra

ESTA SEMANA não está sendo fácil para o governo da presidente Dilma Rousseff. A prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na manhã desta quarta-feira, 14, durante a 12ª etapa da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção e desvio de dinheiro na Petrobras, coloca o PT novamente no olho do furacão. Como se não bastasse, a controversa proposta da lei 4.330, que permite que as empresas possam terceirizar qualquer tipo de atividade, engrossa o quadro de dificuldades enfrentado pelo governo. 

A NOTÍCIA chega em um momento delicado para o governo, no qual os grandes partidos da oposição ainda não apoiam abertamente o discurso do impeachment que ganhou as ruas nos protestos de domingo, mas já procuram brechas para embasar a medida, aproximando-se, inclusive, dos movimentos que pedem a saída da presidente. 

EM POUCO mais de três meses, a gestão da petista acumula turbulências e sobressaltos em diversas áreas, ao mesmo tempo em que a população sofre com a volta da alta dos preços, com a inflação e com os primeiros sinais visíveis de desemprego em alguns setores de atividade tanto urbana quanto rural. E tudo isso sem mudar o pano de fundo do cenário, que são os escândalos de corrupção, com evidência para o da Petrobras.

AO PERMITIR o aumento desmesurado dos gastos públicos e descuidar-se dos fundamentos da economia, que sustentavam a popularidade das administrações anteriores, incluindo o seu primeiro mandato, Dilma recebeu uma herança maldita de si própria. A consequência é que começou o segundo mandato promovendo um ajuste fiscal doloroso e fazendo verdadeira acrobacia política para garantir a sustentação parlamentar, chegando ao ponto de “terceirizar” o governo para o PMDB, que passa a fazer a articulação política, e se tornando refém da Câmara e do Senado. 

A BATALHA do governo, contudo, não acabou. A precarização do trabalho através da terceirização, embora a votação tenha sido adiada, provoca fissuras preocupantes na sua base aliada, influenciando inclusive no descontentamento das lideranças sindicais que a apoiam. O segundo governo de Dilma Rousseff não tem sido fácil para ela e muito menos para o país.

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