Sai o sonho, entra o pesadelo

quinta-feira, 02 de abril de 2015
por Jornal A Voz da Serra

O QUE ATÉ ENTÃO era chamado de Eldorado para a economia de muitas cidades fluminenses se transformou rapidamente em pesadelo. A redução dos royalties do petróleo, a crise da Petrobras e a queda do preço do produto no mercado mundial estão implodindo as contas públicas de diversas cidades criando um quadro de estagnação econômica e desemprego. A crise bateu às portas.

A NATURAL PREOCUPAÇÃO pelas trágicas consequências leva prefeitos diretamente ligados à produção do petróleo a se reunirem com o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), para discutir alternativas que amenizem a crise financeira frente ao drama vivido pelos municípios que se estruturaram com a produção de petróleo e hoje passam por uma dramática decadência. 

CIDADES QUE até então viviam em crescente expansão viram suas receitas caírem astronomicamente, como é o caso de Macaé, atingindo diretamente centenas de empresas "offshore” responsáveis pelas maiores produções de petróleo e derivados no país. Na outra ponta desta relação institucional, os trabalhadores ligados direta ou indiretamente ao setor são os mais prejudicados.

COM BASE nos estudos da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda (Setrab), 4.113 vagas foram eliminadas em nove municípios (Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Macaé, Quissamã, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra), no período correspondente a janeiro de 2014 a fevereiro deste ano.

SOMENTE EM MACAÉ, 2.187 postos de trabalho foram fechados. Em Rio das Ostras, foram mais de 400 demissões nos dois primeiros meses deste ano. Medidas de racionalização já estão sendo tomadas pelas prefeituras, dentre as quais a redução de postos de trabalho, extinção de cargos comissionados e fechamento de secretarias, como ocorre em Cabo Frio, com a dispensa de mais 4 mil funcionários. 

SOME-SE A ISTO, a situação não menos dramática do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujo total de funcionários dispensados no empreendimento pode chegar a 12 mil. 

O APERTO FINANCEIRO do setor, somado à crise econômica do governo federal, deixará sequelas difíceis de serem resolvidas em curto prazo. O ajuste fiscal determinado pelo governo, que já pesa no bolso dos cidadãos, ajuda a dificultar ainda mais as expectativas de reversão deste quadro sombrio.

CABERÁ ÀS PREFEITURAS utilizarem a capacidade criativa para reverter a situação, reestruturando suas áreas de gestão, buscando novas alternativas econômicas com a descoberta de novas vocações. É trabalho hercúleo que pode determinar o sucesso ou o fracasso das administrações. Para muitas cidades fluminenses, o sonho acabou. 

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