Robadey: “Foi um dos dias mais tristes da minha carreira profissional”

Comandante geral do Corpo de Bombeiros diz que incêndio o fez lembrar de outro momento doloroso: a tragédia de 2011 em Friburgo
quarta-feira, 05 de setembro de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Robadey dá entrevista ao Bom Dia da Rede Globo (reprodução da TV)
Robadey dá entrevista ao Bom Dia da Rede Globo (reprodução da TV)

O incêndio de grande proporções que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, no último domingo, 2, foi sentido por todos os brasileiros, afinal, perdeu-se ali uma importante parte da história do país. Para o comandante do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, o coronel Roberto Robadey, esse foi um dos dias mais tristes de sua carreira, o fez até lembrar de outro momento doloroso, que foi a tragédia climática de Nova Friburgo. Robadey, natural de Cantagalo, também foi comandante do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros e secretário de Defesa Civil em Friburgo e prestou um depoimento para A VOZ DA SERRA sobre a grande tragédia para a história brasileira na noite do último domingo, 2.   

“Foi um dos dias mais tristes da minha carreira profissional, como foi o 12 janeiro de 2011 em Nova Friburgo, quando eu tive que sepultar três colegas de farda e vários conhecidos. Agora esse episódio, que também é muito marcante, pois eu fui ao museu com meus pais, levei a minha filha para visitar. É uma dor muito grande saber o quanto se perdeu, saber que não poderei levar meus netos para conhecer”,  desabafa o comandante.

O fogo começou por volta das 19h30 do domingo e só foi controlado no fim da madrugada da segunda-feira, 3. Segundo Robadey, ele acompanhou de casa o início do combate às chamas pelas equipes do Corpo de Bombeiros: “Segui para o local e meu sentimento era de extremo pesar, porque eu sabia que precisávamos jogar água naquele acervo para tentar salvá-lo e que esse ato também comprometeria parte daquele material”.

O coronel Robadey também conta que o incêndio já era grande quando os bombeiros foram acionados pelo vigilante do museu: “Desde o primeiro momento o incêndio já era intenso. E nós temos as gravações do vigilante que ligou para o Corpo de Bombeiros pedindo socorro, que nas palavras dele já diz que não dava para apagar, que as chamas eram muito intensas. Nós chegamos rápido, porque temos quartéis importantes próximos, inclusive a sede onde ficam os nossos maiores veículos, com capacidade para 30 mil litros d’água. Chegamos carregados com água e começamos o combate”, conta Robadey.

Segundo o comandante, a logística atrasou o trabalho em cerca de meia hora ou pouco mais: “Seguimos o protocolo e buscamos por água no local, mas infelizmente os dois hidrantes próximos não funcionaram, então precisamos usar a água do lago, o que não é simples, não basta estalar os dedos e a água está no caminhão. Feito isso e com apoio dos quatro caminhões de água da Cedae, tivemos um bom fluxo e rapidamente conseguimos extinguir o incêndio”.

 

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