“Rio não é lixeira”. Com certeza, muita gente já ouviu esta frase e concorda, mas, infelizmente, por mais que se tente conscientizar a população ainda há moradores que descartam dejetos domésticos e até mesmo móveis velhos e demais objetos nos leitos dos rios de Nova Friburgo, colaborando com a poluição e as enchentes durante fortes chuvas. Por isso mesmo, semana passada, o projeto friburguense de estímulo à conscientização ambiental, Florestar & Cia, desenvolvido pelo ambientalista Luiz Latour, promoveu a limpeza de um trecho do Rio Cônego, na altura do bairro Olaria, entre o estádio do Friburguense e as imediações da Praça 1º de maio, com o apoio de um grupo de assistidos e voluntários da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
O resultado da operação já era esperado pelos participantes: foi recolhida grande quantidade de lixo das águas. Além de muitas sacolas de lixo doméstico, que deveriam ser depositadas nas calçadas para recolhimento dos caminhões da coleta domiciliar, foi retirada do leito e das margens do Rio Cônego grande quantidade de garrafas plásticas de refrigerantes, copos e sacolas plásticas, tudo com material que leva décadas para se decompor. Desta vez, até roupas foram encontradas no rio.
Latour observou ainda que, além do lixo descartado, outra fonte de poluição dos rios do município tem sido o despejo de efluentes (resíduos químicos) de indústrias que, de acordo com os órgãos ambientais, deveriam tratá-los em estações particulares, devolvendo aos rios os resíduos já sem poluição. “Esses resíduos muitas vezes são descartados à noite e colorem as águas dos rios, causando também mau cheiro, que se confunde com o esgoto. Algumas vezes esses descartes acontecem também durante o dia e devem ser imediatamente denunciados aos órgãos ambientais”, observou Luiz Latour.
Esses despejos industriais atingem também demais rios friburguenses, como o Santo Antônio, Grande, Riograndina, Córrego Dantas e até o próprio Bengalas, que serão alvos brevemente dos mutirões de limpeza desenvolvidos pelo Florestar & Cia. Na última atividade em Olaria, Luiz Latour alertou quanto à necessidade de se banir a cultura de jogar pequenos lixos às margens dos rios, pois, com as cheias durante as chuvas fortes, os despejos podem entupir galerias de águas pluviais e causar enchentes. Ele também destacou a necessidade de orientação aos moradores ribeirinhos para evitar a poluição dos rios e córregos do município.

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