Retrato de um ator quando jovem

Uma entrevista com o friburguense Bernardo Dugin, em cartaz nos cinemas com o filme "Deixe-me Viver"
sábado, 05 de novembro de 2016
por Antonio Fernando
Retrato de um ator quando jovem

Aos 26 anos, e próximo de comemorar 27 no dia 15 de novembro, o friburguense Bernardo Dugin (foto) já tem uma estrada profissional bem sedimentada: ator, produtor, diretor e apresentador. E também jornalista. Transita bem nas duas áreas e mantém um ritmo constante de atuações que lhe garantem uma posição marcante no cenário artístico nacional. A fórmula? Trabalho, muito trabalho. 

Na TV Globo, atuou como Lucas na novela Em Família e fez participações em Malhação e em Além do Horizonte. Fez o Catinga no seriado De Volta pra Pista (Multishow) e o Diogo na Família Rocha (TV Aparecida).

Dugin foi o apresentador oficial dos vídeos de treinamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Fez diversos trabalhos como ator e diretor no teatro. Dirigiu 60, o musical, Old&Gold, O Despertar da Primavera e foi diretor assistente da Ópera do Menino Maluquinho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2015. Seu último espetáculo foi o musical da Broadway, Godspell, com direção do João Fonseca. 

No cinema, atuou em S2, Gravidez Precoce, Autorretrato, Sinais e protagoniza o longa espírita Deixe-me Viver, que estreou esta semana em Nova Friburgo, após o lançamento pelas redes Cinepolis e Cine A em todo o Brasil. No filme, Dugin interpreta Luiz Sergio, um jovem desencarnado aos 23 anos que, no plano espiritual, é convocado a escrever um livro. A direção é de Clóvis Vieira e tem cenas locadas em Nova Friburgo.

Bernardo Dugin ainda estreia este ano o seriado Era uma Vez uma História, com produção da Eyeworks e Cinegroup, onde dará vida ao personagem Dom Pedro I, com estreia prevista para o dia 28 de novembro pela Band e Warner.

A VOZ DA SERRA: O que você desejou ser primeiro: ator ou jornalista? Ou nenhum dos dois? 
Bernardo Dugin:
Ator.

Em qual dessas áres você se encaixa melhor?
Transito bem entre as duas. Mas atuar me dá mais prazer.

Como tudo começou? Faculdade, escola de arte...
Sempre quis ser ator. Desde os seis anos. Minhas brincadeiras quando criança eram contar histórias, representar. Também participava de todos os festivais literários da escola escrevendo e recitando poesias. Tenho todas as medalhas guardadas. Achava o máximo. Escrevia bem e só tirava notão em redação. Aos 12 entrei para o Grupo Taca e não parei mais. Quando chegou a hora de escolher a faculdade, eu já tinha o Registro Profissional de Ator (DRT), o que me possibilitava trabalhar profissionalmente na área. Então optei por uma segunda vertente, caso a arte não desse certo. Aí escolhi jornalismo, visando mais a TV. Mas nunca abandonei a atuação. Conciliava. Fazia o Tablado junto com a PUC. Cursos de interpretação para TV e peças de teatro ao mesmo tempo em que me dedicava às aulas de Comunicação Social. Demorei um ano e meio a mais para me formar. Mas valeu a pena.

Você trabalha com televisão e cinema. É tudo igual? 
Bem diferentes. A linguagem é outra. O tempo é outro. Até o modo de interpretar muda. A TV é mais verbalizada. O cinema tem mais ações e menos palavras. Mas o que deve prevalecer sempre é a verdade. Se você faz com verdade e acredita naquilo... basta se adequar ao estilo. O público vai embarcar.

Você transita pelas duas linguagens com facilidade. Tem uma preferência? 
São diferentes. Mas igualmente apaixonantes. Acho que minha preferência pode variar com o momento. Se estou fazendo muito cinema, dá vontade de fazer um pouquinho de TV. E vice-versa. O que me encanta são boas histórias.

E o jornalismo que você faz? 
Como jornalista me vejo mais como apresentador do que repórter, redator. Na faculdade eu fazia reportagens e me dava muita vontade de mudar ou acrescentar alguma coisa para a história ficar mais interessante. Olha que horrível. Acho que era o lado artístico falando mais alto. Mas como jornalista adoro a área de entretenimento. Tenho apresentado vídeos institucionais para uma operadora de celular, apresentei os vídeos de treinamento das Olimpíadas e Paralimpíadas. Fiz institucionais para a PUC, Estácio... vou mais na linha de ator/apresentador.

É dura a vida de ator? Rotina, etc. 
Uma vez a Fernanda Montenegro foi questionada sobre um conselho que ela daria a um jovem ator. Ela disse: “Desista. Agora, se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer (...) aí volte, mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo! Não é do ramo!”
Adorei o que ela disse. E repito por aí. É isso. A vida de ator é dura sim. Detesto essa glamourização. Porque parece que somos intocáveis. Mas também acho dura a vida de um comerciante, de um médico, de um jornalista, atleta. Quem faz ficar leve somos nós mesmos. Rotina? Não sei o que é isso.

É possível viver de arte no Brasil?
Claro. Sou um exemplo disso. Mas não é para romantizar. Tem que batalhar. Muito. Nenhum produtor de elenco vai bater na sua porta do nada. Você precisa estar em ação. Trabalho chama trabalho. Abro muitas frentes. Atuo, dirijo, produzo, dou workshops, faço publicidade, apresento programas, mando e-mails, escrevo peças, faço curtas... e vivo muito bem. Precisa ter cabeça. E ânimo.

Como você avalia o cinema brasileiro hoje?
Tem uma receita de bolo de comédias (sem desmerecer os talentosos artistas) que mais parecem um programa humorístico de TV do que cinema. E isso tem levado milhões de espectadores às salas. É impressionante. Tô falando de mercado. Do que vende. Do que funciona. Por outro lado, vejo um cinema bem feito, bem cuidado, sensível, como é o caso do recente Aquarius. Temos excelentes artistas. Isso me dá muito orgulho. Mas não bomba de bilheteria. Acho importante fomentar o mercado, quero mais é que tenham muitos filmes nacionais. Mas também é importante investir em um cinema questionador, pensante. E não apenas passatempo.

E o jornalismo? 
Ainda sonho com o dia em que o jornalismo encontre uma maneira de não depender de anúncios, de empresas, de grupos públicos... e ter mais isenção na cobertura. Porque não dá para falar certas coisas de quem paga a conta, não é verdade?

Você tem algum ator que te influenciou? Qual ou quais?
Gosto muito do Leonardo Di Caprio. Ele me surpreende e muda a cada trabalho. Aprecio isso. Sempre falam que mudei muito quando assistem a um trabalho meu. Fico feliz. 
Mas quem me influenciou mesmo foi minha primeira diretora de teatro, Jane Ayrão, do Taca. Eu sonhava, externava e ela dava aquele empurrãozinho dizendo que era possível e que tinha certeza absoluta que eu ia conseguir. Isso sempre me fez avançar.

O que você espera daqui pra frente? Há algum projeto especial que gostaria de fazer?
Dia 28 de novembro estreio um seriado de época na TV onde interpreto Dom Pedro I. Tô bem feliz e ansioso para assistir. Quero seguir na TV, teatro e cinema. Conciliando as artes. Ano que vem, assim que der um respiro, pretendo montar um novo espetáculo musical. E, claro, apresentar em Nova Friburgo.

TAGS: entrevista | Personalidades friburguenses