Retalhos de confecção friburguense são transformados em arte na Região dos Lagos

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
por Jornal A Voz da Serra
Retalhos de confecção friburguense são transformados em arte na Região dos Lagos
Retalhos de confecção friburguense são transformados em arte na Região dos Lagos

Quem já é do ramo de confecção já conhece muito bem os processos que uma determinada roupa tem que passar até atingir o produto final. Antes de tudo ocorre a modelagem, ou seja, a peça ganha formato e medidas. A partir daí o tecido é esticado sobre a mesa de corte e, dependendo da quantidade do pedido feito pelo cliente, poderão ser esticados muitos metros sobre a mesa em forma de dobradura—um tecido sobre outro por diversas vezes, tal qual um biscoito wafer. Com o tecido sobre a mesa, surge então o risco que o cortador executa respeitando os moldes que irão compor as peças. Para isso ele se baseia pela direção da trama do tecido. Pode-se exemplificar citando que a manga de uma camisa é um molde, assim como frente e costas. Para riscar a pessoa usa um giz próprio, lápis ou até mesmo caneta, e há até mesmo a impressão por meio de máquinas computadorizadas, denominadas plotter, que executam o risco com maior facilidade e rapidez. O processo seguinte é o corte das peças, respeitando as linhas do risco. Com as peças cortadas segue-se para a estamparia, depois por inúmeras máquinas de costura, que proporcionarão determinado processo na peça, e daí então para arrematadeira, embalagem, estoque e embarque.
Mas, vamos concentrar no corte. Neste processo sempre existe uma ou outra parte no tecido esticado sobre a mesa (enfesto), que não será aproveitado, fato que corresponde a aproximadamente cerca de 15% de perda em relação a todo o material. Por serem pedaços pequenos é muito provável que essas sobras de tecido não serão aplicados em nada e o seu fim será o lixo. Se for um tecido feito de fios de algodão, por exemplo, ele poderá servir como adubo orgânico e se desfazer com mais rapidez na natureza; se for tecido feito com fibras de poliéster e elastano algumas gerações passarão e este resíduo permanecerá poluindo o meio ambiente, infelizmente.
Empresas com a Confecção Elas, que produz roupas de bebê utilizando-se de tecidos 100% algodão e fortemente ligada à conservação das riquezas naturais, reaproveita os retalhos que sobram no corte para colaborar com a preservação ambiental, ou seja, doa as sobras de tecidos para uma moradora da cidade de São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Gilza Alves, de 73 anos, faz fuxico com os tecidos que seriam descartados. Ela não deixa nem um dia de executar a sua arte, já que planeja fazer uma colcha de cama inteira de fuxico para presentear a filha e outras mais para vender. A melhor hora para encontrá-la nesta aplicada terapia é à tarde, logo após o cochilo pós-almoço. 
Gilza é uma daquelas pessoas que encanta pela simplicidade que leva a vida e já fez diversas e belas toalhas de mesa, distribuídas gratuitamente entre familiares e amigos. Sabendo de toda sua dedicação com o fuxico, a Confecção Elas de Nova Friburgo passou a mandar os tecidos já cortados de acordo com o molde usado por ela em seus fuxicos. Para isso, o molde é encaixado entre os riscos das peças e cortado junto com as roupas de bebê. “Tia Gilza é uma mulher bastante alegre e dedicada na arte de fazer fuxico. O fuxico é para ela como o arroz é para o feijão: algo que a completa e deixa feliz. Fazendo isso estamos colaborando para o bem-estar dela e do planeta e isto é algo que nos deixa bastante entusiasmados”, diz Alex Sandro Santos, da Confecção Elas, sobrinho de Gilza.
Para quem desejar fazer contato com a Confecção Elas basta ligar (22) 4105-1071 ou acessar www.elasecomodas.com.

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