Renato Bravo apresenta propostas de governo na Associação Comercial

Candidato propõe diálogo permanente com população, Brasília e instituições como a Unicef e o Banco Mundial
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
por Ana Borges
O candidato Renato Bravo e o vice Marcelo Braune debateram questões sobre desenvolvimento econômico com os presentes (Foto: Divulgação)
O candidato Renato Bravo e o vice Marcelo Braune debateram questões sobre desenvolvimento econômico com os presentes (Foto: Divulgação)

O engenheiro civil e ex-vereador Renato Bravo, candidato a prefeito de Nova Friburgo, apresentou, acompanhado do vice Marcelo Braune, seu programa de governo no evento “Desenvolvimento Econômico”, da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo, na última segunda-feira, 19. Bravo respondeu e trocou ideias com o público, que lotou o auditório. Entre os presentes estavam os empresários Jairo Wermelinger, Gabriel Ventura (vice-diretor de A VOZ DA SERRA), Fany Zissu, e Fernanda Gripp (Sebrae), o jornalista Girlan Guilland, Silvio Poeta, a psicóloga Dalva Brust, gestor ambiental Paulo Roberto de Souza, entre outros. 

O presidente da Acianf, Flávio Stern, abriu o encontro e o moderador Willian Moliari passou a palavra ao candidato. Com certa frequência, Renato Bravo reiterou a importância do “diálogo para o fortalecimento das ideias, dos projetos, do processo democrático, especialmente num momento de tanto desgaste da democracia e do estado de espírito da população”. 

Antes de iniciar a apresentação de seu programa, Bravo comentou que tem observado, em suas andanças pelo município, “uma realidade que aponta para a necessidade de cuidados urgentes para Nova Friburgo. Daqui a menos de dois anos estaremos completando 200 anos e precisamos refletir sobre como a cidade se desenvolveu desde 1818, o que tem sido feito nas últimas décadas, o que queremos, o que devemos e o que podemos fazer, daqui pra frente”, sugeriu. Em seguida, discorreu sobre a saúde, educação, gestão ambiental e sustentabilidade, cultura, agricultura, esporte, lazer, turismo, mobilidade urbana. 

Para o setor da saúde, que o candidato avaliou como “sem rumo”, propôs a informatização total, considerando que se trata de “uma ferramenta facilitadora e de fácil implementação”, para acompanhar o atendimento ao usuário “desde o primeiro momento”. Esse atendimento básico, segundo ele, pode ser incrementado nos bairros e nos distritos, através de postos de saúde, clínicas de família e UPAs. Bravo também quer expandir o credenciamento dos serviços médicos e trazer um curso de medicina para, “no futuro, através de convênios, contar com médicos-residentes. 

A retomada da Fundação Municipal de Saúde ele acredita ser fundamental, para, entre outras funções, regular o estoque de medicamentos e programar as licitações com a devida previsão-antecedência. É inaceitável fazer, permanentemente, a compra de remédios de forma emergencial como vem sendo feita, o que pesa ainda mais no orçamento”, disse. 

Máquina enxuta e política de resultados

Bravo quer introduzir uma política de metas e resultados em todas as secretarias. “O que não significa exigir metas absurdas, impossíveis de serem cumpridas. Em tudo que envolve gestão pública vamos ter métodos compartilhados e pactuados. Queremos alcançar resultados que traduzam com honestidade e transparência o que o governo está fazendo, na saúde, na educação, em tudo. Mas antes, é preciso valorizar os profissionais, que hoje estão desmotivados e atônitos. Entendemos esse estado de espírito, esse desânimo. Por isso, essa pactuação tem que ser feita em bases sólidas, verdadeiras e transparentes”, disse, lembrando que quando assumiu a gerência do Sesc (1999-2009) havia oito funcionários sem curso superior e quando saiu, sete deles haviam concluído o 3º grau. 

“Qualificar o cidadão é o primeiro passo para incutir nele a vontade de seguir em frente, de querer melhorar cada vez mais, ter objetivos pessoais e profissionais. Isso, naturalmente, vai se refletir no trabalho, como extensão do que ele é. Portanto, não tenho dúvida quanto à importância do investimento em qualificação do funcionalismo. É absolutamente necessário”, completou o candidato.  

O entrosamento das secretarias, “parceirizadas e compartilhadas”, com gente preparada e motivada, de acordo com ele, vai permitir o enxugamento racional da máquina administrativa, estancando o descontrole no trato do dinheiro público. “É preciso diminuir investimentos desnecessários. Insisto em dizer: não tenho compromisso com distribuição de cargos, com nomeações. A prefeitura tem hoje 1.084 cargos comissionados, o que é um absurdo, uma aberração. Com metade desses cargos extintos, economizamos mais de R$ 30 milhões anualmente. Enfim, com metas e resultados planejados, e enxugamento da máquina, certamente teremos um substancial retorno financeiro”, avaliou o candidato.  

Sobre educação e cultura, o tempo integral é uma tendência mundial e uma meta que Renato Bravo vai perseguir. Segundo suas palavras, além da grade curricular obrigatória, ele vai ampliar as atividades artísticas (como música e dança), culturais (salas de leitura), esportivas. “Temos um imenso celeiro de artistas, escritores, músicos, dançarinos, atletas, subaproveitados. É preciso abrir espaços para o desenvolvimento desses talentos que podem e devem passar adiante seus conhecimentos para as nossas crianças e jovens. Quantos meninos e meninas, artistas contidos, reprimidos por falta de oportunidade, não estarão por aí perdidos, sem chance? É preciso permitir que apareçam”, argumentou.

Bravo esclareceu ainda que esse projeto não vai acarretar nem um minuto a mais de carga horária para os professores, já que essas atividades serão desenvolvidas por novos profissionais e serão implementadas gradativamente. 

Gestão pública baseada em confiança mútua

Para ele, gestão ambiental, sustentabilidade, regularização de terrenos, saneamento básico, reflorestamento, águas e nascentes, são questões que a população precisa, sem perda de tempo, saber mais, se informar mais, se conscientizar mais. O candidato citou o projeto de seu vice, Marcelo Braune, que já foi apresentado a vários governos — sem que nenhum o adotasse — que trata de regularização de propriedades, tanto na zona rural quanto urbana. 

“Vamos dar andamento a esse projeto que é o primeiro passo para organizar a ocupação dos espaços, com segurança e estrutura. A ilegalidade gera ilegalidade: as pessoas querem ter suas propriedades protegidas e entenderão como justa a cobrança pelos serviços que recebem. A comunicação, o diálogo com a população, seja qual for o assunto, tem que ser permanente, baseado em confiança mútua. É assim que vamos atuar, em todos os setores da gestão pública”, reafirmou.

Turismo receptivo, preservação das memórias, festivais (destaque para o de Inverno); escoamento da produção agrícola (nota fiscal em Teresópolis, por quê?), agronegócio, orgânicos; 120 mil veículos cadastrados; “relação republicana” com as concessionárias, contratos; coleta seletiva. Para cada um desses temas, o candidato enfatizou a capacidade do friburguense de encontrar saída, de reagir para promover o recomeço que a cidade exige e merece. 

“Esse caráter de superação ficou evidenciado após a catástrofe de 2011, com a população reerguendo a cidade. Hoje, cinco anos depois, os parques estão abandonados, o horto municipal e espaços públicos como os das colônias, também, assim como os pontos turísticos. Enquanto alguns consideram muita coisa os nossos 33% de Mata Atlântica, eu considero pouco. Podemos melhorar isso”, comentou.     

Renato Bravo destacou o desempenho do Conselho Municipal de Turismo na relação com o governo federal para obtenção de recursos. Argumentou: “Temos um deputado em Brasília e a nossa expectativa é de poder contar com ele para as causas comuns, aquelas que são de interesse da maioria da população. Porque essa é a essência de nossa política que é de inclusão, de governo presente, acessível, de articulação absoluta. Volto a insistir, queremos mudança com responsabilidade: o que estiver sendo feito com qualidade, vamos melhorar, se está dando certo, vamos aperfeiçoar. Para progredir temos que dar mais oportunidades para novos empreendedores, em todos os bairros e distritos. Resumindo, se queremos sair da estagnação, é imprescindível nos envolvermos, unir forças e conquistar aliados em outras esferas políticas e entidades como a Firjan, o Sistema S, o Sebrae, o Fecomércio, a Unicef, o Banco Mundial, e assim por diante”, enfatizou o candidato, que continuou desdobrando questões de toda natureza com o público, por mais uma hora. 

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