Renato Abi-Ramia apresenta plano de governo em evento da Acianf

Candidato relembra trajetória política e fala de sua experiência como homem público
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
por Ana Borges
Renato Abi-Ramia apresenta plano de governo em evento da Acianf

O médico e vereador Renato Abi-Ramia foi o terceiro candidato ao cargo de prefeito a debater o tema desenvolvimento econômico, em encontro promovido pela Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf), na última segunda-feira, 12. Na plateia havia empresários (Joel Wermelinger, da Firjan), Gabriel Ventura (A VOZ DA SERRA, Acianf), representantes de entidades da sociedade civil (Conseg), ativistas ambientais (Paulo Roberto de Souza, gestor ambiental), Sílvio Poeta, entre outros. O evento foi aberto pelo presidente da Acianf, Flávio Stern, e contou com cobertura da mídia.     

Como médico, o candidato deu ênfase aos problemas da saúde, pela qual “lutou em diversas frentes” — obras, implantação de programas, durante passagens pelo executivo, como secretário municipal. Também ampliou o número de unidades de atendimento, ambulatórios, e realizou mutirões “para tornar a saúde mais dinâmica”. Falou de sua experiência administrativa e política, “tão necessária diante da crise pela qual passa o país”, e abordou as questões que envolvem desemprego, iniciativa privada, burocracia, construção civil, empreendedorismo, indústria, comércio, serviços, ambiente, biodiversidade.

“Que Nova Friburgo queremos para os nossos filhos e netos? Que futuro desejamos para a nossa cidade? Herdamos de nossos antepassados um legado que temos obrigação de desenvolver e manter, ainda que o momento político, social, econômico, seja extremamente difícil. No entanto, não devemos nos abater, ao contrário, precisamos enfrentar essas dificuldades e vencê-las”, disse Abi-Ramia na abertura do debate. 

Sem "nepotismo" nem "práticas carcomidas"

Como candidato que aspira conduzir os destinos de seu município, Abi-Ramia tem a convicção de que deve apresentar, inicialmente, seus pressupostos, sua bagagem política, dizer e mostrar o que fez e o que “pretendemos fazer, aliás, no plural, é bom ressaltar, visto que não trabalhamos sozinhos, não fazemos nada sozinhos”, disse. E assegurou: “Eu faço um tipo de política diferente, nada tradicional, onde costuma imperar o nepotismo, o fisiologismo, o assistencialismo, enfim, essas práticas antigas. Friburgo tem sido governada, há pelo menos 16 anos, por práticas anacrônicas, carcomidas. Infelizmente, houve um isolamento da capacidade criativa e intelectual do friburguense, o que permitiu que a cidade tivesse a sua economia deteriorada”, avaliou.

Recuperar o mercado de trabalho, em seus diversos setores, deve ser uma prioridade para qualquer governante, defende. Para Abi-Ramia, o desemprego desestrutura os lares, desagrega famílias, destrói valores, humilha os chefes de família, causa traumas sociais, gera violência. “Nosso grande problema hoje é o desemprego. A falta de trabalho avilta a cidadania. Temos que qualificar as pessoas para que elas tenham mais chances de voltar ao mercado tão logo as perspectivas melhorem”, acredita o candidato.      

De acordo com ele, a crise é um dos fatores responsáveis pelo desespero que vem se instalando no seio de algumas famílias. “Envergonha a todos nós, por exemplo, essa onda de suicídio que temos observado em Friburgo. Para enfrentar o problema do desemprego na raiz, vamos utilizar a nossa experiência e buscar a adesão de empresários também experientes. Vamos conseguir, em pouco tempo, melhorar as condições de vida do friburguense, com a captação de investimentos, aproveitando a tradição do município em setores como moda íntima e fitness, ecoturismo, polo gastronômico, além da força do homem do campo, que na zona rural domina, no Estado do Rio, o cultivo de flores de corte, couve-flor e morango, além de truta, entre outros atrativos, como a produção orgânica que não para de crescer”.

Também destacou os entraves da burocracia como algo a ser combatido. “É enervante. Não é aceitável que pessoas que pretendam se tornar empreendedoras precisem travar uma luta insana e interminável para abrir um simples negócio. Não surpreende que alguns desistam e partam para a informalidade. E neste caso, perdemos todos”, argumentou o vereador, lembrando que a construção civil foi um dos setores que mais sentiu a retração econômica. “O que é uma lástima já que se trata de um dos principais empregadores em qualquer lugar do mundo”, disse.

Um novo tempo requer determinação

O candidato defendeu um consistente e permanente amparo ao empreendedor, que considera um dos alicerces para o futuro, que, segundo ele, já está aí. “Nós temos vocações múltiplas distribuídas em um território com mais de 930 quilômetros quadrados, coberto por cerca de 40% de Mata Atlântica, e a maior biodiversidade do Brasil. Portanto, nossa cidade tem potencialidades adormecidas, sub-utilizadas, o que exige medidas urgentes. O que vai fazer a diferença neste novo tempo é a determinação do candidato em enfrentar os problemas, encontrar a solução e adotá-la. Não podemos deixar a população, principalmente a mais carente, desassistida pelo poder público. Para dar um basta nesta situação, temos duas propostas consistentes”, disse Abi-Ramia, referindo-se aos projetos das águas e da biorrefinaria.

“Somos o quinto país do planeta, em tamanho, população e água potável. Portanto, temos as condições perfeitas e suficientes para vencer adversidades de toda a natureza. Este é um país abençoado, rico, vasto, farto, cuja população, toda ela, deveria ter uma qualidade de vida na mesma proporção. Faltam governos honestos, voltados para o povo, que é quem sustenta a máquina administrativa, através de seu trabalho e impostos. Para o primeiro projeto, já temos investidores interessados, e para firmar a parceria basta que o governo se comprometa e faça. Para tanto, vou ao governador, vou procurar quem for preciso para realizar estes projetos, que vão reduzir os custos e trazer prosperidade para o município. Aqui também são abundantes os resíduos orgânicos, cuja utilização resultaria em 70% na redução do custo da energia e gás”, explicou.

O fato de manter uma relação pessoal com um dos mais próximos assessores do presidente Temer, o (ministro) Moreira Franco, com o governador interino Francisco Dornelles, e com o governador Luis Fernando Pezão (em licença médica), segundo revelou o candidato, o deixa confiante em relação aos dois projetos. “Apesar das dificuldades atuais, que sabemos não serão resolvidas a curto prazo, acreditamos que vamos vencer a crise, até porque o país não há de ficar à mercê de descontroles de gestão. E então haveremos de conseguir dar andamento aos projetos”, disse Abi-Ramia.            

E também...

Entre outros temas, o candidato ouviu a abordagem do empresário Joel Wermelinger, que defendeu a possibilidade de o Hospital Raul Sertã voltar a ser uma instituição independente de governos, como o antigo Hospital Santo Antônio, sob gestão da Santa Casa. Nessa condição, o hospital receberia investimentos e equipamentos, e teria a perspectiva de fechar convênios com planos de saúde e oferecer instalações particulares para pacientes que optassem por esse atendimento.

O candidato ouviu com interesse e lembrou que foi contra a municipalização na época em que se deu a transição. Ainda dentro da área da saúde, Abi-Ramia falou do Hospital do Câncer, que “simplesmente não aconteceu”, saúde mental, entre outras especialidades.

Ao longo de duas horas, Renato Abi-Ramia se posicionou em relação a diversas questões e respondeu ao público sobre educação (jovens fora da escola), cultura, agricultura, adensamento da cidade, lixo (coleta seletiva), incentivos fiscais, construção de aeroporto, mobilidade, transporte, trânsito, ciclovia, rodoviária, RioCard, Plano Diretor (criticado por ele com veemência), Lei de Responsabilidade Fiscal, segurança e criminalidade.

“Temos o dever de acolher os jovens, dar um rumo às suas vidas, descobrir vocações, investir em novos talentos. Não podemos deixar ao desamparo indivíduos que podem e querem superar dificuldades e se destacar em qualquer que seja o caminho ou carreira que deseje seguir. Quero fazer um governo voltado para o humanismo, mudar o enfoque da educação — que deve mirar o cidadão —, e romper de vez com o ciclo do atraso”, finalizou.

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