Remando contra a maré

terça-feira, 28 de julho de 2015
por Jornal A Voz da Serra

APÓS CINCO quedas consecutivas, o Índide de Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), avançou 1,5% em julho, em comparação a junho, ao passar de 68,1 para 69,1 pontos, o segundo menor nível da série histórica. O aumento ocorre após as quedas de 1,6%, em maio, e 4,9%, em junho. A alta foi observada em sete dos 14 principais segmentos acompanhados pela pesquisa e foi determinada pela melhora das expectativas em relação aos meses seguintes. O Índice de Expectativas (IE) avançou 3,2%, após cinco quedas consecutivas, quando acumulou perdas de 23,6%. O índice de 67,9 pontos de julho representa o segundo menor valor da série.

A ECONOMIA brasileira apresentou dois indicadores que revelam diferenças marcantes entre a expectativa da população e a avaliação do empresariado frente ao segundo semestre deste ano. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o índice de confiança do consumidor brasileiro baixou em julho e atingiu um dos menores patamares da série histórica iniciada em setembro de 2005.

DE ACORDO com a Serasa Experian, o processo de desaquecimento da economia deve se intensificar ainda mais neste segundo semestre de 2015. O indicador de perspectiva econômica recuou 0,1% em maio em relação a abril, sendo a sexta queda mensal consecutiva. O patamar indica que, além de desaquecer, a economia deverá exibir crescimento abaixo do esperado. 

O AUMENTO das taxas de juros, a expansão menos acelerada do crédito e a implementação dos cortes orçamentários feitos pelo ajuste fiscal do governo têm contribuído para um ritmo de crescimento menos intenso da atividade econômica. A avaliação aponta uma distância entre as expectativas da população e das empresas frente ao segundo semestre do ano.

A CRISE econômica pegou o Brasil no contrapé, ao contrário de economias como a Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, por exemplo, que viram seus PIBs despencarem alguns pontos percentuais e o nível de desemprego subir a números preocupantes. Porém, estamos nadando contra a correnteza de nossos próprios rios e a economia interna está prejudicando o equilíbrio em relação ao comércio externo e à incerteza mundial.

O POLO de moda íntima friburguense, embora com a perda sofrida desde 2011, está em expansão e mesmo a crise não alterou a sua produção, concentrando-se no mercado interno brasileiro, que é o seu maior cliente. Responsável por uma fatia significativa do mercado nacional de moda íntima, Nova Friburgo ainda não viu decrescer a sua produtividade e permanece mantendo empresas e empregos, atraindo mais compradores. 

A FASE de recuperação da economia friburguense também requer medidas do governo que proporcionem a abertura para novas empresas e a formação e especialização profissional, dentre outros estímulos ao desenvolvimento industrial. Um bom entendimento com o governo estadual ajudará de forma significativa a engrossar o leque de ofertas, assim como junto ao governo federal.

A UNIÃO de esforços entre empresa e governos tem permitido avanços na economia de diversas cidades e a oportunidade que Nova Friburgo tem de manter estes laços deve ser fortalecida com diálogo político e projetos de crescimento. As empresas estão fazendo a sua parte, procurando superar a crise e buscando a qualidade, novos mercados e a inovação. Cabe ao governo dar a sua contrapartida, oferecendo infraestrutura e políticas públicas para ampliar as perspectivas de desenvolvimento do município.

 

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