Relação perigosa

segunda-feira, 19 de outubro de 2015
por Jornal A Voz da Serra

OS METEOROLOGISTAS são unânimes em afirmar: o verão brasileiro será quente e com muita chuva. Com o início da estação, que começa oficialmente no dia 22 de dezembro, a época, além da descontração e do lazer, revela também dados preocupantes que chamam a atenção não só das autoridades, mas também de toda a população. A estação traz os temporais e, inevitavelmente, muitos problemas. Isso tem sido verificado nos anos anteriores e, ao que parece, deverá se repetir nesta temporada em que o fenômeno El Niño será mais intenso.

PREVISÕES pessimistas revelam que o aquecimento global pode ser mais sério do que se pensa. Após o fiasco das reuniões de líderes sobre o aquecimento global e o desânimo dos governos em minimizar os possíveis efeitos, o clima no mundo segue sua trajetória alarmante, alterado, o que já não é mais novidade. E o meio ambiente, por conseguinte, sofrerá as consequências, também. Desertificação, terremotos, furacões, seca e incêndios são apenas alguns exemplos dessa ação que pode chegar à irreversibilidade, caso o homem não mude a sua relação com o ambiente.

O INÍCIO DA estação chuvosa na primavera é acompanhado de temor por brasileiros de diversas cidades do país. Neste ano, contudo, o impacto das chuvas pode ser menos danoso que o verificado nos últimos anos. Isso porque as ações do governo federal para minimizar os impactos de enchentes, inundações e deslizamentos de encostas receberam investimentos robustos para evitar tragédias. Desde 2012, os repasses federais para estados e municípios investirem em obras e programas de contenção a impactos de desastres naturais somaram mais de R$ 3,92 bilhões.

NO PLANO municipal, as consequências da alteração climática também devem ser avaliadas pelos técnicos do governo, planejando a implementação de soluções de longo prazo. Prevenindo-se das chuvas que caem frequentemente na região, evitando que as mesmas tornem inabitável as encostas e outras áreas de risco, as autoridades podem dar uma grande contribuição para a comunidade, hoje e no futuro.

AS SOLUÇÕES de longo prazo para evitar tais problemas passam pela elaboração conjunta de planos de drenagem, com medidas que demandam tempo e dinheiro, porém em menor escala que as perdas com os prejuízos das inundações urbanas, como ocorreram no passado e prometem se repetir neste início de ano. Dentre as políticas públicas, é necessário também que o governo dê atenção especial à proliferação de ocupações irregulares, com a consequente favelização de morros e encostas. O saldo de mortes ocorridas em outros anos confirmou esta perversa condição.

A OCUPAÇÃO de encostas e morros, como existe em Nova Friburgo, por sua vez, torna ainda mais vulnerável a bacia urbana, tanto pela remoção da vegetação natural, que é altamente protetora do solo, retendo e ajudando a evaporação das águas de chuva, como pela exposição à erosão a que ficam submetidos. Como há muito por fazer, é necessário que a população esteja consciente em termos de educação ambiental. É preciso que cada um faça sua parte para o alcance de uma cidade ambientalmente agradável, sem alagamentos nem deslizamentos. E mais protegida.

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