Quatro letras, muita confusão

quarta-feira, 12 de agosto de 2015
por Jornal A Voz da Serra

SEM ESTARDALHAÇO, mas com muita expectativa, a Câmara Municipal já tem pronto projeto de lei que proíbe a utilização do aplicativo Uber em Nova Friburgo. De autoria do vereador Christiano Huguenin, o projeto chega antes mesmo da constatação de sua adoção na cidade. Polêmico, tido como ilegal em muitos países, o Uber deve ainda tomar a atenção, não apenas dos motoristas de táxis, mas de toda a sociedade.

ADOTADO EM muitos países, o Uber é, na prática, um sistema de serviço remunerado de transporte que chegou aos consumidores fazendo concorrência direta com os taxistas. Por ser uma novidade, ainda não há consenso sobre sua aplicação no Brasil e poucas cidades adotaram qualquer medida disciplinando o assunto. Em Nova Friburgo, Christiano Huguenin já está tomando as precauções, conforme noticiou o Massimo na edição de ontem de A VOZ DA SERRA e matéria na página 7 hoje. Em seu projeto de lei, alega o parlamentar que o objetivo é “proteger nossos taxistas dessa nova modalidade de transporte irregular”.

OS ÂNIMOS entre taxistas e motoristas da Uber estão acirrados, e estão previstas duas saídas: ou litígio, em que todos perdem, ou a concorrência saudável. O importante, no caso, é pensar na melhor opção para a sociedade, que, em última instância, é quem pagará pelo serviço. Resta, agora, levantar os prós e contras da sua utilização buscando aprimorar e, se for o caso, adotar a nova concorrência.  

DIRIGENTES do Uber alegam prestar “serviço privado de motorista” e, a rigor, sem controles do Estado, ao contrário dos taxistas. Estes, como se sabe, têm de seguir uma série de requisitos. por se tratar de uma permissão do município. Aí está a diferença mais gritante entre os dois grupos.

ENTRETANTO, o aplicativo está levando vantagem justamente em cima dos pontos fracos de taxistas: comparam-se carros, preços, comportamentos e atitudes, e a má fama de poucos ganha proporção, alimentando o debate. Evidentemente que o mau serviço não é observado na maioria da praça, inclusive em Nova Friburgo.

O TRABALHO maior, agora, é direcionar o debate a um fim construtivo, corrigindo as deficiências com a finalidade de oferecer um serviço cada vez melhor à comunidade. A discussão está só no começo e muitos capítulos ainda serão desenvolvidos. Porém, nesta disputa, há de se ouvir, principalmente, os usuários, respeitando-se a livre concorrência. Ao que parece, o Uber está chegando para ficar.

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