Editorial - Nós depois de Lula - 22 de dezembro.
O OTIMISMO é mesmo uma característica marcante do cidadão brasileiro. Em meio à crise econômica que se estende em diversos países do mundo, pesquisa revela que 78% dos entrevistados acreditam que a sua vida vai melhorar em 2011, contra apenas 3% que dizem o contrário. Quanto ao Brasil, mais otimismo: 82% acham que o país estará melhor que em 2010.
SE DE UM lado a expectativa por dias melhores é uma constatação, por outro as preocupações também fazem parte do cotidiano da população. Outra pesquisa, realizada pelo Instituto Datafolha, revela que a saúde é o problema mais aflitivo do país para 33% dos brasileiros. Desemprego, segurança e educação seguem, na ordem.
A ESTATÍSTICA prossegue considerando o presidente Lula ótimo ou bom para mais de 70% dos brasileiros, um recorde de preferência desde a redemocratização do país. Como se percebe, a numerologia indica que o governo vai bem, e o país, nem tanto, apesar do otimismo generalizado. E é nesse clima de contraste que enfrentaremos o próximo ano.
ASSIM COMO revelam as pesquisas, o friburguense também acredita num ano melhor, com uma nova administração, o que, por si só, garante a expectativa positiva. Afinal, também o vice-prefeito eleito, Dermeval Neto, recebeu a grande maioria dos votos e tem a seu favor este inquestionável aval. Porém, na mesma ordem que as pesquisas revelam, as aflições são as mesmas da população friburguense.
A SAÚDE consumirá boa parte do Orçamento municipal, com despesas previstas da ordem de R$ 65 milhões. Mesmo assim, continuará apresentando as mesmas dificuldades estruturais que dificilmente serão modificadas sem a participação efetiva dos governos estadual e federal. A verba do SUS, por si só, não garante a melhoria de nada.
O NÍVEL de emprego formal do município, por seu lado, só se elevará com políticas que estimulem a vinda de novas empresas e a legalização de muitas que hoje vivem na informalidade. Apesar da crise econômica, o mercado interno brasileiro poderá garantir a sobrevivência do parque industrial do país, inclusive de Nova Friburgo. Mas é preciso investir para crescer e isso nós ainda não estamos assistindo.
A SEGURANÇA pública também é motivo de preocupação friburguense e as propostas do novo governo poderão minimizar esta carência, atuando de forma integrada com as demais autoridades. Com o crescimento populacional e a extensa área do município, o governo precisará reestruturar a segurança pública municipal para responder de forma eficiente esta responsabilidade.
A PERCEPÇÃO das dificuldades e a expectativa pela melhoria da vida estão presentes também em Nova Friburgo. Caberá ao prefeito responder às necessidades da população combinando o desejo de crescimento com a natural vocação progressista do município.

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