Projeto de lei pretende estimular contratação por micro e pequenas empresas

Em compensação, MPEs terão acesso a condições especiais de crédito e taxas menores de juros
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Projeto de lei pretende estimular contratação por micro e pequenas empresas

As empresas de médio e grande porte, ou seja, que possuem a partir de 50 funcionários, são obrigadas por lei a contratar de 5% a 15% de jovens na condição de aprendizes, com idade entre 14 e 24 anos. Um projeto de lei (3470/2019) em tramitação no Senado pretende que essa regra seja aplicada também a micro e pequenas empresas (MPEs), com o intuito de incentivar a entrada dos jovens no mercado de trabalho. A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Ao mesmo tempo em que serão empregadas, os jovens aprendizes terão que estar matriculadas em cursos oferecidos por instituições de educação profissional, o que na avaliação do autor do projeto de lei, senador Jayme Campos (DEM-MT), vai melhorar a qualificação profissional e reduzir o desemprego entre os jovens. 

“A capacitação será feita por instituições como o Sebrae, Sesi e Senai, por meio de uma parceria. Trata-se de uma excelente oportunidade para aqueles que precisam complementar a renda em casa e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos no mercado de trabalho. Infelizmente, esses jovens não têm encontrado as oportunidades que merecem”, defende o senador, ao lembrar que as MPEs representam um número significativo dos estabelecimentos privados do país. Elas são responsáveis pela geração de 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado, o que corresponde a 16,1 milhões de trabalhadores. No Brasil, segundo Sebrae, dos 6,4 milhões de estabelecimentos em funcionamento, 99% são (MPEs). Em relação ao microempreendedor individual, o registro é de que existem 3,7 milhões de empresas dessa modalidade.

Como a legislação não impõe uma obrigatoriedade para que as MPEs contratem jovens na categoria de aprendizes, o projeto de lei 3470/2019 sugere que o estímulo para essa relação seja feito a partir de benefícios dados a esses empreendimentos. Entre as facilidades, estariam a prioridade para empréstimos em bancos públicos, além do pagamento de juros menores.

Para o presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe), Ercílio Santinoni, a medida é relevante e interessa ao setor, desde que tenha sua eficiência garantida. “O projeto vem ao encontro ao que estamos discutindo e pedindo há anos (facilidade de crédito). O problema do projeto está na forma de como você pode fiscalizar. Precisava de uma discussão com as bases, com as entidades de representação, para ver uma forma de como isso poderia ser feito”, ponderou. 

 

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