A floricultura vem se confirmando como uma das vocações da agricultura no estado do Rio de Janeiro e atraindo novos produtores para o setor. Além das áreas já tradicionais de produção, como municípios das regiões Serrana e Metropolitana, números apurados recentemente pela Emater-Rio — empresa de extensão rural do estado — revelam a evolução e a interiorização da atividade. Nos últimos cinco anos, aumentou em 49% o total de produtores de flores, passando de 686 para 1.020.
De acordo com Nazaré Dias, coordenadora do Programa Florescer, da Secretaria Estadual de Agricultura, para fomento do setor, esse crescimento é resultado, principalmente, dos incentivos de crédito, capacitação e tributários do governo estadual, que atraíram novos empreendedores, elevando a área de produção de 700 para 950 hectares, significando aumento de 35%. "Na região Metropolitana, com destaque para o Rio de Janeiro e Itaboraí, o número de produtores passou de 140 para 359. Ali são cultivadas plantas ornamentais para paisagismo, jardinagem, flores e folhagens tropicais de corte. Esses municípios respondem por 80% das plantas ornamentais cultivadas no estado”, informou.
Dedicado ao cultivo de bromélias, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, desde 1979, o produtor João Márcio de Melo vem acompanhado as transformações do setor, promovidas principalmente pelo acesso a novos insumos e tecnologias de produção. "Cresce o número de novos produtores com mais tecnologia e profissionalização para atender um consumidor cada vez mais exigente e sempre em busca de novidades. O mercado está em franca expansão, especialmente no Rio de Janeiro, onde a expansão de bairros como a Barra da Tijuca apresenta demanda crescente de plantas para paisagismo”, disse.
No cultivo de flores de corte, Nova Friburgo desponta como o maior produtor estadual, onde o total de floricultores subiu de 191 para 220, nos últimos anos.
A radiografia do segmento trouxe como novidade a expansão da atividade para a região Noroeste. As condições climáticas favoreceram o cultivo de orquídeas, plantas ornamentais e flores tropicais. Anteriormente, apenas quatro produtores de Santo Antonio de Pádua e Varre-Sai se dedicavam à floricultura. Hoje este número saltou para 17, distribuídos também nos municípios de Bom Jesus de Itabapoana, Miracema, Itaperuna e Porciúncula.
A entrada de novos produtores, somada à adoção de novas tecnologias de produção — cultivo protegido, sistema de irrigação por aspersão, gotejamento e fertirrigação, a inserção de novos cultivares e maior profissionalismo —, levou o Rio de Janeiro a ocupar a posição de segundo polo de produção nacional de flores e plantas ornamentais.
Para o secretário estadual de Agricultura, Alberto Mofati, estas conquistas são importantes, mas ainda não atingiram a plenitude das metas do Programa Florescer. "Acreditamos no potencial de nossos produtores e na força do mercado consumidor. Continuamos intensificando as ações junto às zonas produtoras, visando melhorar cada vez mais a qualidade do produto fluminense”, frisou.
Incentivado pelo Florescer, Carlos Alberto da Silveira, em seu sítio no Stucky, é um exemplo de que a tecnologia faz toda diferença no sistema de produção, tornando-se fator de diferencial no seu produto. "Esse verão foi muito seco e tivemos que usar equipamentos que reduzissem o consumo de água. A expectativa é de que no inverno seja melhor, mas caso haja uma nova seca estaremos preparados”, comentou o produtor, que implementou o sistema de irrigação por gotejamento.

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