Previsões e resoluções

Por Carlos Emerson Junior
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Previsões e resoluções
Previsões e resoluções

Você já leu as previsões para 2012? Com certeza, não é mesmo? Todo mundo morre de vontade de saber quem será o milionário do BBB, o campeão do Brasileirão ou se o mundo vai mesmo acabar no dia 21 de dezembro, como garantiram os Maias. Mas não se preocupe, isso é humano, culpa daquela eterna dúvida: quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

As previsões surgem de todos os lados: horóscopos, jogos de runas, tarô, búzios, numerologia, astrologia, as indefectíveis interpretações de Nostradamus, profetas e por aí vai. Invariavelmente um político, um ator famoso e uma celebridade morrerão, casamentos de artistas serão desfeitos e refeitos, Rubens Barrichello dominará a Fórmula Um e o meu Botafogo vai faturar todos os torneios do ano.

Tem quem acredite, uai!

Quanto ao fim do mundo dos Maias, confesso que estou bastante tranquilo. Primeiro porque atravessei incólume a década de 60, quando os arsenais atômicos de americanos e soviéticos estiveram a ponto de destruir nosso planeta umas trinta vezes, com o simples apertar de um botão (na verdade dois, um para cada lado). Em segundo lugar, o fim dos tempos já foi anunciado em 1806, 1843, 1891, 1910 (Cometa Halley), 1982, 1997, 1999, 2000 (duas vezes) e 2008 e ainda estamos aqui, prontos para encarar mais um.

Para Nova Friburgo a grande pergunta é: vai chover como em 2011 outra vez? Não sei se alguém previu o que aconteceria nas cidades serranas e, de qualquer maneira, poucas pessoas dariam alguma atenção, afinal, catástrofes naturais estão sempre presentes nas previsões mais abalizadas. De certa maneira, até podemos entender sua ocorrência.

O que eu duvido é que alguém tenha previsto essa enorme instabilidade política que, em apenas um ano e meio, já nos deu três prefeitos e uma crise monumental. É como eu sempre digo, não tem ficção que ganhe da realidade. E por falar nisso, quem se arrisca a fazer as previsões de 2012 para a nossa cidade?

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Já as resoluções de ano-novo não passam de uma versão expandida daquelas decisões que tomamos todas as segundas-feiras e na quarta-feira já estão completamente esquecidas até a segunda-feira seguinte, quando juramos solenemente que desta vez vai! Para não ser injusto, é bom deixar bem claro que tem quem mantenha suas resoluções de ano-novo até o carnaval chegar, juro!

Alguns estudiosos afirmam que essa prática teve origem na antiga Babilônia, há uns três mil anos atrás. Outros garantem que tudo começou com um decreto do imperador romano Júlio César, fixando o 1º de janeiro como dia do Ano-Novo, em 46 a.C. Enfim, a essa altura da vida esse hábito já está tão enraizado, que não tem a menor importância de onde surgiu. Mas fica a dúvida: será que os kamikazes faziam suas resoluções de fim de ano? Cartas para a redação.

As resoluções variam de uma pessoa para outra, mas todo mundo já colocou em sua listinha anual obrigações como emagrecer, parar de fumar, ficar rico, arranjar ou trocar de emprego, fazer exercícios, estudar, não roer as unhas, parar de beber, arrumar a casa, trocar de marido ou de mulher, não fazer mais resoluções de ano novo e, finalmente, cumprir todas as resoluções de ano-novo até o final do ano.

O assunto é tão importante e levado à sério que os norte-americanos, sempre inventivos, colocaram no ar um site que escolhe ao acaso uma resolução para você cumprir, caso sua imaginação ou consciência pesada pelas resoluções abandonadas pelo caminho, seja mais forte. O endereço é o http://moninavelarde.com/newyears—em inglês, mas nada que um bom tradutor on-line não resolva.

Experimente perguntar a um fumante “da pesada” se ele realmente consegue abandonar o fumo na noite do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro? Não mesmo, é impossível, a não ser trancafiando o cidadão em uma solitária, a pão e água, por uns três meses. E mesmo assim, sua primeira providência quando sair da prisão será... pedir um cigarro!

Brincadeiras à parte, só o fato de olharmos para trás com senso crítico e tentarmos acertar onde julgamos que erramos, já vale essa tradição. No entanto, que tal pensarmos que a resolução mais importante talvez seja “não tomar nenhuma resolução de ano-novo”? Se acreditamos que uma determinada atitude é importante, por que não começar agora? Não se esqueça que quem vai mudar é você e não o ano, uma simples maneira fiscal de contar o tempo.

Bom, depois de tantas previsões e resoluções, deixo meus votos um ótimo de um ótimo 2012 para todos os leitores, de preferência sem chuvas fortes e fim do mundo. Aliás, é bom lembrar que em outubro vamos decidir o futuro que queremos para a nossa cidade. Que nossa escolha seja sábia.

carlosemersonjr@gmail.com

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