Prefeito de Blumenau visita Nova Friburgo para mostrar como sua cidade vem superando a tragédia das chuvas

segunda-feira, 07 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Prefeito de Blumenau visita Nova Friburgo para mostrar como sua cidade vem superando a tragédia das chuvas
Prefeito de Blumenau visita Nova Friburgo para mostrar como sua cidade vem superando a tragédia das chuvas

Dalva Ventura

22 de novembro de 2008. Muitos ainda devem se lembrar da catástrofe que se abateu sobre Blumenau, a bela cidade catarinense, colonizada por alemães, onde se realiza a tradicional Oktoberfest. Naquele dia e no subsequente, o Rio Itajaí-Açú, que corta toda a cidade, transbordou e uma forte enxurrada devastou Blumenau. Paralelamente houve deslizamentos em todas as encostas da área urbana do município.

A tragédia de Blumenau tem muitas semelhanças com a de Nova Friburgo, embora sua dimensão tenha sido menor e com consequências menos drásticas. Mesmo assim, os catarinenses têm muito o que nos ensinar sobre como enfrentar e superar este acontecimento.

Foi o que o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, veio fazer em Nova Friburgo na quinta-feira, 3, acompanhado do secretário de Planejamento Urbano, Walfredo Balistieri, e do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Paulo Cesar Lopes. Sensibilizados com a situação de Nova Friburgo, procuraram mostrar como a Prefeitura de Blumenau conduziu as ações pós-tragédia, o planejamento a curto prazo realizado, como decretos, leis e compra de terrenos, e também a longo prazo, como o Blumenau 2050, que prevê o desenvolvimento para a Região Norte da cidade, menos suscetível a alagamentos e deslizamentos.

A reunião foi realizada no auditório da Oi, com a presença do prefeito em exercício Dermeval Barboza Moreira Neto, de grande parte do secretariado municipal, do empresariado e de representantes de diversas entidades. O prefeito teve que se ausentar antes do término da reunião, mas em seu rápido pronunciamento agradeceu a visita dos catarinenses e destacou que aquela seria uma aula para todos os friburguenses.

A reconstrução de Blumenau

João Paulo Kleinübing fez uma minuciosa explanação sobre as etapas de reconstrução de Blumenau e foi logo destacando que, assim como aconteceu lá, a tragédia terá muitas consequências, pois envolve a construção de uma nova cidade. “Nós todos nos unimos num esforço, no sentido de replanejar e repensar a nossa cidade, de buscar um novo modelo de crescimento”, afirmou.

A primeira etapa, que em Blumenau durou três meses, é a que Nova Friburgo vive agora. É a fase da emergência, da recuperação, da limpeza, do atendimento imediato da população atingida. Neste momento, entre outras providências, é preciso viabilizar a construção das moradias definitivas. E também de encontrar soluções provisórias para as pessoas que estão nos abrigos poderem morar até que as casas, a serem construídas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, fiquem prontas.

Segundo João Paulo Kleinübing, a fase da moradia provisória foi a maior dificuldade encontrada em Blumenau. Lá, como aqui, não havia número suficiente de casas e a solução final foi a locação de galpões, que foram adaptados em módulos habitacionais individuais para famílias de dois, três ou mais moradores. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) participou da elaboração do projeto e este foi integralmente custeado pela Defesa Civil nacional. Não era o ideal, pois a estrutura de banheiros e cozinhas destes módulos era coletiva, mas representava um avanço com relação aos abrigos. E funcionaram direitinho, em sistema de autogestão, com regimento interno, escala de limpeza etc.. “Com isso, pudemos oferecer àquelas famílias um mínimo de autonomia e, de certa forma, um retorno à vida normal. Hoje estou convencido de que foi a melhor solução para administrar aquela etapa inicial”, disse o prefeito.

João Paulo Kleinübing ressaltou algumas ações desenvolvidas num primeiro momento após a catástrofe e que foram muito importantes para a população. Entre elas, a organização de uma central única de distribuição de donativos e de um cadastro único dos cidadãos atingidos, que permitiu planejar todas as ações que vieram depois, a liberação do FGTS e do aluguel social.

E mais: visando eliminar a burocracia, criou-se uma Central Única de Reconstrução, reunindo num único endereço no centro da cidade, o atendimento das secretarias de Meio Ambiente, Planejamento, Defesa Civil e outras.

“Depois do que aconteceu, Blumenau mudou e certamente Friburgo também mudou, e não podemos continuar a olhar a cidade com o mesmo olhar de antes”, declarou o prefeito. Por isso mesmo, afirmou, é preciso conhecer de novo a cidade, o que ela oferece, suas dificuldades e condicionantes. Da mesma forma, é preciso remapear o município, rever os códigos de zoneamento, restringir construções nas áreas mais avançadas e induzir seu crescimento para áreas mais seguras.

A Prefeitura de Blumenau está paulatinamente desocupando todas essas áreas, mas este é um processo a longo prazo. Por enquanto, é preciso, pelo menos, evitar novas tragédias humanas nesses locais, com a implantação de um sistema de controle e alerta de monitoramento ditado de radares e pluviômetros. O Plano Municipal de Redução de Riscos foi revisto, passando a incluir, além dos alagamentos, os desmoronamentos. É que, devido a seu histórico de inundações, Blumenau já tinha uma grande experiência, conseguindo identificar com até 12 horas de antecedência o nível que o rio atingiria em determinada hora. Com isso, os moradores tiveram tempo de ser retirados ou de seguir para abrigos, o que fez grande diferença no número de mortes causadas pela tragédia.

Tanto o prefeito como o presidente da CDL de Blumenau, Paulo César Lopes, afirmaram que a maior dificuldade enfrentada foi com respeito à liberação do financiamento do BNDES para as empresas afetadas. Tomara que aqui seja diferente, mas lá, muito poucos empresários conseguiram acesso aos recursos, devido à enorme dificuldade encontrada.

Paulo César Lopes encerrou o evento destacando a importância da recuperação da autoestima dos moradores para a superação das dificuldades causadas pela tragédia. “Vocês têm uma longa etapa a cumprir. Será preciso muita força, ânimo e, sobretudo, a união de todos. Esperamos que, assim como aconteceu conosco, esta tragédia sirva para unir. Só assim Friburgo voltará a ser o que era”, concluiu.

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