A praça é do povo

quinta-feira, 21 de maio de 2015
por Jornal A Voz da Serra
A CÂMARA Municipal realiza hoje audiência pública para apresentação de projeto de revitalização da Praça Getúlio Vargas. Após a poda de eucaliptos centenários e dos protestos de toda a comunidade, a Prefeitura tenta agora reverter a má impressão causada, realizando ação conjunta com o Iphan e o Ministério Público. Também a comunidade poderá participar, fazendo propostas e sugestões.

O que fazer para reverter esta e outras situações que incomodam?
O RUMOROSO caso levanta questões e mostra que o cidadão pode ir além da mera cobrança e assumir papel de protagonista na conservação e cuidado com o espaço de todos. Viver numa cidade limpa, com monumentos, praças e parques bem cuidados é o desejo dos moradores de qualquer lugar. Tal desejo pode ser visto nas páginas de A VOZ DA SERRA através das frequentes cartas e depoimentos de leitores reclamando das condições de logradouros e áreas públicas, do vandalismo, das pichações que diariamente materializam a falta de consideração que algumas pessoas têm pelo espaço urbano. 

UMA ÁREA degradada realmente machuca, ofende qualquer cidadão minimamente interessado no bem comum, e por isso a indignação com o estado da Praça Getúlio Vargas é natural: trata-se do primeiro passo necessário em busca da solução. Mas é o segundo passo, o da ação, o mais importante: o que fazer para reverter essa e outras situações que tanto incomodam?

A RESPOSTA mais comum ainda é apenas reclamar e cobrar dos outros — leia-se do poder público — uma solução. Feito isso, o cidadão tem a nítida impressão de que fez tudo o que estava ao seu alcance, de que se esgotaram as suas formas de ação e que só lhe resta esperar que o outro — novamente o poder público — aja e resolva o problema. É um pensamento que, depois de décadas de paternalismo estatal, vem à mente dos brasileiros de forma quase automática. Mas, na verdade, é o reflexo de um conceito pobre de cidadania, em que para ser cidadão bastaria exercer o direito de voto e cobrar do poder público.

SEM DÚVIDA, o voto é um dos momentos mais marcantes da cidadania; papel igualmente inestimável tem todo cidadão que fiscaliza continuamente o poder público e cada político, cuidando para que as verbas sejam bem aplicadas, evitando desperdícios ou desvios. Mas não é o poder público o principal protagonista do desenvolvimento de um local: são os indivíduos, isoladamente ou organizados.

PODE PARECER pouco, mas a iniciativa mostra que é possível mudar a realidade a partir de coisas simples, desde que se tenha vontade de agir. Além da preocupação com o estado de conservação de logradouros públicos, que nem precisaria passar por qualquer tipo de formalidade ou burocracia, há diversas maneiras de os cidadãos se empenharem para mudar os rumos da comunidade. Não se trata de “assumir uma função do Estado”, expressão que frequentemente ouvimos em tais casos. Trata-se de assumir seu real papel, o de protagonista.

AO PODER público cabe não colocar obstáculos a essa ação e agir de forma subsidiária, auxiliando os cidadãos quando eles precisarem de ajuda, e assumindo a tarefa apenas quando ninguém demonstrar interesse ou capacidade de realizá-la. Mas que triste seria viver em uma comunidade na qual ninguém se interessa pelo cuidado com os espaços públicos.

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