Praça do Trem deve, enfim, sair do papel

Prefeitura assinou contrato com construtora e obras devem começar nos próximos meses
sexta-feira, 29 de março de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Praça do Trem deve, enfim, sair do papel

Devem começar ainda neste semestre as obras de construção da Praça da Estação Alberto Braune, mais conhecida como Praça do Trem, que vai transformar o pátio do Palácio Barão de Nova Friburgo, atual sede da prefeitura, em um espaço em que será contada a história da ferrovia na cidade e também um polo para o ensino da gastronomia das dez colônias que contribuíram para a formação e o desenvolvimento do município.

No último dia 23 de março, foi publicado no Diário Oficial do município, em A VOZ DA SERRA, o extrato do contrato firmado com a construtora Sérgio Porto Ltda, que venceu a licitação para construir o espaço. O serviço vai custar R$ 1.245,780,91. A empresa tem 360 dias para entregar a nova praça, no espaço em que outrora funcionou a estação de parada do trem (Estação Nova Friburgo), inaugurada em 1935.

De acordo com o projeto, o muro que cerca o pátio da prefeitura, onde estão localizados antigos galpões, na esquina da Avenida Alberto Braune com a Rua Gonçalves Dias, ao lado do Cadima Shopping, será demolido, abrindo espaço para a praça, em que serão construídos decks de madeira com cadeiras e mesas, canteiros de flores e instalados trilhos de trem em tamanho real.

Os trilhos, segundo o projeto, levarão turistas à réplica de uma locomotiva, em tamanho real, que ficará exposta dentro dos galpões, espaços que no passado eram utilizados, justamente, para reparos mecânicos nas composições da Velha Maria Fumaça que circulou pela Avenida Alberto Braune até meados de 1964.

Dentro dos galpões, será aberta uma exposição permanente que contará a história da ferrovia no município. Documentos, fotografias, objetos daquele tempo vão compor o memorial. Também funcionará, no local, um espaço gourmet para ensino da culinária das colônias alemã, austríaca, pan-africana, espanhola, húngara, italiana, japonesa, libanesa, portuguesa e suíça.

Espaço em ponto nobre

A construção do espaço começou a ser desenhado em 2013, quando o Escritório de Gerenciamento de Convênios e Projetos (EGCP) da prefeitura desenvolveu um projeto para que o antigo ponto de parada do trem se transformasse em uma área turística, de integração com a história da cidade, e também de formação para geração de emprego e renda.  

Em 2016, o projeto da Praça do Trem foi apresentado pelo então prefeito Rogério Cabral, no mesmo dia em que seria assinado convênio com a Caixa Econômica Federal para liberação dos recursos de uma emenda parlamentar do ex-deputado federal Índio da Costa (PSD).

Na época, o governo planejava concluir as obras antes do bicentenário da cidade, em maio de 2018, mas as obras nem foram iniciadas e o projeto continuou no papel. Com a retomada do projeto pelo prefeito Renato Bravo, em 2017, todos os trâmites necessários à execução foram acertados com a Caixa e o dinheiro liberado.

“A ferrovia trouxe o desenvolvimento para a cidade no século 19. O trem fazia o transporte de pessoas e escoava com mais rapidez a produção cafeeira de Cantagalo até o porto, que antes era feita em lombos de burro”, conta Odirlei Alves da Costa, que integra a Associação dos Amigos da Preservação da Memória e do Patrimônio Ferroviário Barão de Nova Friburgo, o Clube do Trem.

Para ele, o resgate da memória desse período, materializado num espaço de convivência, é muito importante para história da cidade e do país. “É o local de origem do trem na cidade. Eu acredito que vai ser um espaço muito bonito. É num ponto nobre da cidade, com vínculo histórico, e se tiver realmente a locomotiva, será visualmente, um doce. Acredito que será um espaço bastante visitado”, disse escritor especialista em ferrovias.

 

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