Pé no freio

quarta-feira, 24 de junho de 2015
por Jornal A Voz da Serra
O ENDIVIDAMENTO atingiu 59,6% das famílias brasileiras em março deste ano em comparação a 57% no mês de fevereiro. Porém, está abaixo do percentual de março de 2014, quando 61% das pessoas se declararam endividadas. Os dados são da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Mais que gastar a hora é de economizar
O LEVANTAMENTO engloba as dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal ou prestação de carro e seguro. O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida: 73,4% das famílias ficou endividada por conta dessa modalidade de financiamento.

EMBORA grande, economistas reconhecem que o nível está dentro do razoável se comparado ao de países como o Chile e os Estados Unidos, nos quais o nível de endividamento beira os 100%. A dívida do brasileiro passa de 20% do PIB (Produto Interno Bruto), estimado em R$ 5,52 trilhões.

ALÉM DAS dívidas, a população também convive com a alta dos alimentos, com a crise de energia e o perigo da inflação. Na prática, a dona de casa, o trabalhador e o aposentado convivem com realidades diferentes das apresentadas pelo Palácio do Planalto.   

A ARMADILHA do crédito fácil está pegando os consumidores e os economistas temem agora a escalada do endividamento. Muita gente se deixar atrair pelas facilidades de acesso ao crédito e pelo alongamento das dívidas sem se atentar que os juros bancários no Brasil são muito altos. Quanto maior o prazo, mais cara a dívida.

O CENÁRIO não é animador. As elevadas taxas de juros e o fim das reduções de impostos oferecidas pelo governo federal estão afastando o consumidor das compras a prazo e sinalizam que o ano não promete facilidades. Poupar e pechinchar ainda é a melhor solução. Porém, falta dinheiro e os sinais de aumento da renda nacional ainda ficam por conta das estatísticas e não do que realmente se passa no seio da família brasileira.

A SOLUÇÃO no momento é pisar no freio do consumo e aguardar oportunidades que sejam vantajosas e, não, simplesmente se encantar com as facilidades do crediário a longo prazo. A hora, mais que gastar, é de economizar, evitando-se os supérfluos e focando os hábitos de consumo apenas nos itens indispensáveis, esperando o momento oportuno para fazer novas compras. E novas dívidas.

TAGS: dívida | endividamento | cartão de crédito