“Estava tudo cheio de cupim e baratas, rachaduras nas paredes e trincas no piso”, disse Tatiana Mozer, mãe de Thayler, de 11. Há quase um ano, os alunos da Escola Municipal Juscelino Kubitschek de Oliveira, na Rua Leonino Dutra, no bairro Varginha, vivem um drama.
Desde agosto de 2015, a instituição foi fechada pela prefeitura por causa das péssimas condições do prédio e, como medida provisória — enquanto a construção da nova escola não sai — as aulas foram transferidas para o antigo Colégio Cêfel, na Rua José Tessarollo dos Santos, no Paissandu. Passado todo esse tempo, entretanto, o que causa dúvidas nos pais de alunos é que até agora não há nem sinal da obra da nova escola.
No dia 25 de agosto do ano passado, A VOZ DA SERRA publicou uma reportagem sobre o assunto. Na época, a Secretaria Municipal de Educação havia informado que os estudantes teriam transporte cedido pela prefeitura e que uma nova unidade seria construída em três terrenos vizinhos já adquiridos pelo município e localizados próximo ao prédio antigo. As obras, no entanto, não teriam previsão para começar porque ainda seria feito o processo licitatório.
Agora, dez meses depois, os pais pedem respostas. “Não sabemos de nada. Queremos uma escola aqui, no próprio bairro. É um transtorno as crianças terem que sair daqui para ir estudar no Centro”, disse a mãe de uma aluna que preferiu não se identificar. Cláudia Vieira, de 52 anos, que também tem filhos matriculados na escola, também quer uma solução para o problema. “Já se passaram dois semestres letivos e não sabemos quando os alunos voltarão a estudar no bairro. O terreno escolhido para a nova escola enchendo de mato. Nem capina tem sido feita. Minha filha vai terminar os estudos e esse colégio não ficará pronto”, exclamou ela.
Transporte
Desde que os estudantes passaram a utilizar o ônibus cedido pela prefeitura para estudar, a redação de A VOZ DA SERRA tem recebido queixas de alguns pais de alunos e comerciantes do bairro.
No início da tarde da última terça-feira, 14, a equipe de reportagem foi a Varginha conferir a situação no período mais movimentado do dia, o horário em que os alunos do turno da manhã estão voltando para casa e os do turno da tarde estão a caminho da escola. Ao contrário das queixas e do que foi contado no local pelos pais e um dos motoristas da condução, não houve tumulto no embarque e desembarque das crianças neste dia.
“O dia de hoje foi atípico. Geralmente é uma bagunça, pois carros particulares estacionam nas vagas destinadas aos ônibus escolares”, conta Camila Motta, 28. O mesmo disse o motorista, Paulo Cesar Veiga, 41 anos. “Quase nunca conseguimos estacionar direito para as crianças descerem e subirem do ônibus. Hoje foi sorte mesmo”, pontuou.
Sob outro ponto de vista, Renata Teixeira diz que a via onde os ônibus escolares embarcam e desembarcam os alunos “é uma rua comercial. Os carros precisam parar aqui. Nos horários entre 6h30 e 7h e 11h40 e 12h, as pessoas que sabem dessa necessidade respeitam e não ocupam as vagas dos ônibus. A questão é que muitas vezes são os próprios pais dos alunos que param aqui. Acho que estão reclamando da coisa errada. Eles tem que se preocupar com o colégio que ainda nem começou a ser construído”, afirma a comerciante.
Sobre a demora no início das obras de construção da nova escola, a Secretaria Municipal de Educação informou, em nota que “o projeto da nova Escola JK já está pronto e orçado. Agora está em tramitação interna para que seja marcada a licitação. Portanto, ainda não é possível estipular prazos e valores definitivos”. Já a respeito do transporte, a Secretaria destacou que o serviço continua sendo realizado normalmente e que não tem recebido reclamações.
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