Pânico da Lava-Jato

terça-feira, 31 de maio de 2016
por Jornal A Voz da Serra

O MINISTRO da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, finalmente, deixou o governo Temer. Sua situação na pasta ficou insustentável após virem à tona conversas gravadas em que ele aparece criticando a Operação Lava-Jato e dando orientações para a defesa de investigados em esquema de desvios de recursos na Petrobras, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

EM OUTRO lamentável episódio foram divulgados trechos de gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com o ex-presidente da República, José Sarney, que se queixa das decisões tomadas pelo juiz Sérgio Moro em investigações contra corrupção — que chamou de “ditadura da Justiça”. Na conversa gravada, Sarney e Machado criticam os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a mídia e a comunidade jurídica por não se manifestarem contra as ações da Lava-Jato. José Sarney disse que “a ditadura da Justiça implantada, é a pior de todas”.

SERIA INGENUIDADE imaginar que a Lava-Jato vá acabar com a corrupção no país, mas a cada nova etapa da investigação comandada pelo juiz Sérgio Moro, com a participação ativa do Ministério Público e da Polícia Federal, corruptos e corruptores sentem-se mais acuados. Esta angústia da indecência pode ser percebida nos altos escalões da administração pública, especialmente entre os políticos que estão sendo investigados ou que têm algum tipo de envolvimento com práticas ilícitas.

AS ÚLTIMAS gravações revelam não apenas o pânico das delações como também a busca do foro privilegiado como uma tábua de salvação. Nesse sentido, chama a atenção o empenho de alguns políticos em alardear intimidade com ministros do Supremo Tribunal Federal, que os magistrados rejeitam com veemência.

É ESSENCIAL que seja assim. Como guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal é o último refúgio da cidadania. Não pode se dobrar a pressões nem transigir com qualquer tipo de ilegalidade. Se os políticos estão inconformados com institutos legais, como a delação premiada nos moldes em que vem sendo executada pelos operadores da Lava-Jato, é à Corte Suprema que devem recorrer.

O RECURSO legal vale para homens públicos e para todos os demais cidadãos, pois o que precisa mudar no país não é a legislação, mas sim a mentalidade daqueles que ainda pensam que a corrupção continuará sustentada na impunidade. O apoio inequívoco da sociedade à Operação Lava-Jato mostra que os brasileiros, com as exceções referidas, escolheram o caminho da honestidade e da decência para reconstruir o Brasil.

TAGS: