Já achei que o nosso amor tinha chegado ao fim como é o destino de todos os amores. Mas entre idas e vindas, descobri nas entrelinhas dos dias que o amor não termina, ele apenas aquieta...
Quando uma vez se instala—fica! Permanece lá na primeira gaveta da alma e vez em quando grita, não pela natural nostalgia, mas porque a felicidade é uma estrada que vive se estendendo em nosso caminho! O grito é de convocação! O grito é sedutor! O grito é um convite insistente a se sentir vivo! E aí te vivo de novo! Te vivo não querendo viver vivendo! Recusa? Tolice. Meninice de quem embarca em vãs solicitações de esquecimentos banais demais. Não há como não permitir que seja inesquecível. Permito. O mundo, os dias me fazem permitir, não por história ou obrigação. Por história também, mas acima de tudo pela canção que é trilha do meu destino que clama por se entrelaçar ao seu!
Nosso amor não é comum, ainda que pareça com todos. Cresce na impossibilidade e é impossível de ser rebaixado a ternura. Enfrenta no meu peito disputas hercúleas comigo mesmo e perde nas escolhas que desajeitadamente fazemos. Nunca se colocando no sempre. Sempre desafiando o nunca. E entre múltiplos nunca(s) e sempre(s)—perdemos. Perdemos juntos o compasso do tempo. Perdemos a batalha contra a lógica do mundo! Afinal, não somos bem lógica. Somos exageros de prazer e dor. Somos amigos que não devem se beijar.
Amores impossíveis, assim é o nosso amor que se eterniza exatamente por ser impossível. Difícil de compreender. Passível de entendimentos ainda que momentâneos. De momentos se alimenta. De sonhos se corrói. De companheirismo se constrói e do mesmo companheirismo se destrói. Não somos exatamente comuns, ainda que repletos de idas e vindas.
Já quis dizer adeus e disse! Mas a aquietação se irrita e grita! A inércia se desfaz e me desafia a ir... E tudo volta como da primeira vez, tudo retorna como se as outras vidas atravessassem as esferas temporais que as distinguem e voltassem então para essa vida. E nessa vida tentamos consertar tudo, mas como nas outras nos deixamos vencer e vencido esse amor volta para a gaveta da alma, grita e sai para com asas quebradas retornar para quem sabe renascer. E renasce, ressurge com mais ou menos força e interrompe o silêncio, tira a paz sepulcral e convida de novo a viver, reviver com tudo, com prazeres e sacrifícios comuns a todos os amores... Mas nosso amor não é bem desses comuns. É amor impossível que entre idas e vindas se redescobre, colore, ressurge, clama... Pede que fiquemos juntos e quebre todas as resistências. Mas algo escapa e o gosto do romance fica, mas não permanece ainda que o sentimento puro e ingênuo fique intacto.
Você vai embora ou eu não te sigo. Declaro que gostaria de ir, mas pouco ousado em fato não vou. E entre idas e vindas, permanecemos nesse hiato de ser querendo somos. E o que é? Apenas um amor que não acaba e que se aquieta em intervalos de alegações de insanidades momentâneas. Tão impossível quanto eterno... Juras não consumadas de que ainda te ganho e de que ainda me ganha. Perdemos, no descompasso de nossos desejos que para o nosso amor são necessidades. Preciso de você, mas nego para não ser entregue demais. Abro o coração de novo e aí já está com outro. Desisto. Mas o amor não me deixa desistir e quando penso que acabou, retorna porque em verdade nunca foi. Talvez nunca se vá!
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