Palavreando - Diversão - 17 a 19 de setembro 2011

Por Wanderson Nogueira
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Não to nem aí pra nada, hoje eu só quero sair e viver. Girar as ruas da cidade, ver o dia virar noite, ver a noite ganhar e perder estrelas. Ver as árvores de vários ângulos e subir no ipê para roubar suas flores roxas. Dançar até os pés ficarem cansados para depois descansá-los numa bacia de pétalas de rosas azuis. Cantar sem querer definir para quem canto ao mesmo tempo em que canto para o mundo inteiro. Canções de amor, canções de ninar, canções de amar junto e as de amar sozinho também. Quero sentar no topo da serra, ver o oceano lá do alto e pensar em nada...

Fazer tudo que sempre quis, falar tudo que me vem à cabeça sem ter cuidado em ser educado demais ou doido de menos. Dar uma de louco e ser louco mesmo, desses desvairados que não devem nada a ninguém. Desses loucos que distribuem tudo o que tem para pagar até as dívidas que não tem.

Nada melhor do que ser quem se é sem querer ser outra coisa. Essa é a mais verdadeira de todas as diversões!

Hoje eu quero sair de casa sem hora para voltar. Viajar o mundo mesmo que num mapa-múndi na parede. Passear por paisagens como nas que aparecem nos filmes. Caminhar do Peru até a Bolívia ou do Rio até a Bahia. Encontrar com as pessoas que bem quero e dispensar todas as que não gosto. Olhar nos olhos das pessoas que amo e dizer sem qualquer receio que as amo e que por elas, eu morreria, mas que prefiro viver ao lado delas o máximo que posso. E com elas, se possível, com todas elas ao mesmo tempo no mesmo lugar, me divertir como a diversão pede para ser divertida.

Flertar com o inesperado, casar com o surpreendente, caçar o que me faz intenso para me vestir com o que me faz verdade. E, através da verdade que sou, aniquilar todas as mentiras que me desviam de mim mesmo. Quero colocar quem sou nos quadros que pinto mesmo sem ter nenhum talento para as artes plásticas. Quero colocar em meus escritos o meu nome assinado no que faço, até mesmo nos pensamentos mais íntimos e proibidos que tenho para que todos saibam o que sei, o que penso, o que minha alma quer, pede e dá. Quero colocar para fora as palavras que sempre quis dizer, sem receio do preço que pago. Não estou no banco dos réus para ser julgado, sou livre... Quero essa liberdade de voar!

Imaginar mais do que a imaginação pode me dar e amparado por suas asas mergulhar na vastidão criativa de mim mesmo. Ilustrar o mundo com um monte de gente de mãos dadas caminhando para o mesmo porto.

Quero a diversão passageira que fica. Quero ficar com a diversão ligeira que dança a música que ouço.

Feliz à toa, fazer nada ou um monte de coisas ao mesmo tempo. Jogar críquete, enquanto vejo golfe na TV. Tomar sorvete, enquanto bebo coca-cola. Escorregar na lama, mergulhar numa piscina de macarrão, beber cerveja o dia inteiro sem se preocupar com a ressaca do dia seguinte. Fazer show, ver o show quietinho sem ser percebido. Gritar de prazer, gritar para fazer escapulir toda dor. Calar para prender toda a alegria que me infla e me faz alcançar a estrela mais próxima para lá pescar a lua mais distante da galáxia.

Sair de si, sair por aí sem se preocupar. Fazer a vida deslanchar sobre os trilhos do destino sem saber onde dará.

Diversão é ser você mesmo fazendo o que só você mesmo sabe e pode fazer. Rir sem parar, chorar até se desidratar. Diversão é viver. Divertido é ser feliz!

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