Para que essa educação toda? Eu te quis, eu te procurei... Você veio com tamanha educação que declinei. Quero mais que educação. Quero a depravação que me despi, que me invade, que me corrói sem destruir. Quero o xingamento da noite escura que se encontra nos lençóis do pecado que se comete sem pudor.
A Paz não me faz, a falta de paz é que me faz feliz demais. Mais do que rir do mimo fundamental. Mais do que chiar da falta de ritmo da música. Falta de paz que faz perder o sono em mil suposições de travesseiro do que pode ser, do que é e do que queria que fosse. Falta de paz por não saber o que será do futuro e por total falta de tempo não conseguir analisar com frieza o que está sendo o presente.
Para que fingir que somos apenas amigos? Tenho o seu suor em minhas entranhas... Tenho suas lágrimas em meu peito. Quero mais que isso. Quero as incertezas do caminho que se abre e se fecha a todo instante. Quero os passos em falso e a cegueira provocada pela luz forte para enxergar depois da névoa o que realmente me inspira e o que de fato não presta.
Discutir não é melhor do que viver. Só os tolos podem achar o contrário. Esse pecado já foi gasto pelos filósofos de mais de dois mil anos atrás. Não sobrou nada para quem veio adiante. Trocam-se as palavras, consolidam-se os pensamentos. Buscamos em outras faces o perigo, mas as aventuras terminam e acabamos por nos provocar de novo. Declino de suas vontades e más vontades. Você diz que cansou. Declina de meus desejos e ânsias de encontrar o que procuro. Eu digo que espero. Não somos bem o que supomos, mas o declive é nosso substantivo predileto.
Para que suportar toda essa dor? Eu quero gritar, eu quero cantar... Você vem com o que me sufoca. Quero liberdade. Quero libertar o que me corrói, quero provocar os que me provocam, quero dizer o que me der na telha sem receio de ser banido. Não quero temer a batalha. Estou dando a cara a tapa. Eu pago o preço. Não ouse me aconselhar a omissão, desse vício eu fujo. Isso eu não permito!
Se permitir o sonho, sonho bom. Ter os ideais no coração, mas conseguir transportá-los para as mãos que fazem. Ideais sem ação são apenas crenças dessas de falsos profetas de esquina. Tenho que acreditar no que digo... Tem que se apaixonar pelo que se faz pelo menos enquanto dura o trabalho de ser o que se é sem arrependimentos, de se entregar sem se cansar do que confia, de se dar sem esperar receber, ainda que seja forte a necessidade de se obter ao menos uma prova de agrado ou uma amostra de reprovação. Princípios não existem para serem traídos ou para que sejamos para sempre fiéis a eles. Princípios estão em nós para que sejam vividos e praticados.
Para que dizer que não está nem aí? Você é parte de um todo, agente de uma história. Quero mais que personagem. Quero ser a história que irrita, que inspira, que invade e imita outras histórias. Quero ser a história que se estende para o infinito que não é eterno. Não sou tão estúpido em crer em vãs eternidades. Um dia acabaremos sós e mais juntos do que antes.
E assim entre idas e vindas, altos e baixos, nos completamos na nossa voracidade pela vida. Somos mais iguais do que independentes. Somos mais normais do que indiferentes. Temos frases feitas, convicções alheias, ditados de efeito, mas no fim das contas estamos mais para a simplicidade das falácias do que para a complexidade dos atos. Instantaneamente somos perguntas e respostas cheias de serás e repletas de talvez. Declives.
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