Palavreando - Dança comigo - 7 a 9 de janeiro 2012

Por Wanderson Nogueira
sexta-feira, 06 de janeiro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Durmo agora... Com seu beijo em meus lábios, com seu rosto enfeitando os meus sonhos. Como gostaria de não ir dormir e ficar ao seu lado sem nunca ter que me despedir.

Queria te levar para a minha casa em vez de só te deixar em casa e observar você entrar pelo portão e pela porta da sala com segurança. Um pouco de mim vai com você, um pouco de você vem comigo e incompleto espero por você.

Te encontro nos sonhos bons que tenho acordado. Seus lábios ainda estão nos meus, posso senti-los ao ter meus dedos flutuantes enquanto sinto seu rosto em minha face e seu cheiro em meu pescoço. Mas o que mais me inebria é o que deixa em minha alma.

Calma de quem foi visitado pela paz festeira que solta rojões no peito e faz os glóbulos brancos e vermelhos dançarem a valsa tocada pela orquestra do coração. Rodopiam sem tontear. Tonteiam-me sem me deixar cair. Voo... Deslizo deslumbrante pela confusão de minhas palavras e pela combustão de minhas confissões sem medo. Então, te convido a vir comigo pra longe, sem necessariamente te convidar a atravessar o Pacífico.

Perto, te prometo o mundo. Longe, te tiro tudo. O chão, a roupa, as máscaras e não temo que me tire também a segurança, os botões da minha camisa quadriculada, os meus medos e minhas demasiadas coragens.

Misto de medo e coragem é fitar-te os olhos marcantes e ter que desviar deles para evitar ficar completamente enfeitiçado. Meus passos me comprometem. Meus braços já não enganam. Meu corpo estremece quando você passa, mas é minha alma que me condena. Faço charme na tentativa de te confundir. Mas se olhar bem...

Faz que me chamará para dançar, mas eu não sei dançar. Aprecio. No seu espetáculo eu sou apenas espectador. Espectador desses que não omite a emoção que sente. Choro. Sorrio. Sorrio e choro. Aplaudo. Aplaudo de pé! Assoviaria se soubesse assoviar. Ofereceria meus braços se tivesse certeza que aceitaria.

Mas a incerteza é provocativa! A falta de certezas é o que preenche os vazios de qualquer coreografia. O oi pode ser ensaiado, assim como o aperto de mãos pode ser combinado, mas nada, absolutamente nada disfarça o olhar. A dança do olhar acontece na hora... É cheia de verdade, por isso emociona. É repleta de calor, por isso incendeia. Tem ausência que completa, por isso paralisa. A dança do olhar chama, não esconde, se entrega sem pudor, sem temor. Revela intenções, faz festa, ainda que festa triste. Canta, ainda que nenhum som seja emitido. Fascina. Apaixona.

Não quero dormir e também não quero acordar. Deixe-me sentir esse seu olhar no meu olhar. Deixe-me dizer os absurdos que tenho para dizer no tom de voz que eu bem entender. Não reclame da minha voz sussurrada, nem de meus trejeitos taxáveis de italiano. Deixe-me, simplesmente, caminhar ao seu lado até a sua casa e me permita a ousadia de levar você para a minha casa sob o descartável argumento de que a lua está linda nessa noite.

Dê-me e se dê o direito de ver o que vem depois dos atos românticos que prometo. Por agora, só te pergunto: dança comigo?

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