— Night hoje? — perguntou meu primo Rodrigo.
— Partiu.
— Quero ver, então, você lançar a calça verde. Estilo é pra poucos, disse dando um gole numa Heineken e me oferecendo outra.
Eu, a Heineken e a calça verde.
Olhei para a garrafa, pensei e decidi experimentar a tal calça que eu nunca tinha usado. Até que curti. Depois de mais umas três cervejas fomos pra boate...
Era mais de meia-noite e, claro, não conseguimos entrar onde queríamos. O Rio de Janeiro anda muito cheio, muito caro e pior: tem público pra tudo!
Acontece que não gosto de ser feito de bobo, ficar horas numa fila e ver gente “com contato” passar pela frente de todos que também esperam.
Fomos para outra casa noturna. Chegando lá, mais fila na porta. Só que dessa vez andou rápido.
(O que aconteceu na boate, ficou na boate. Inclusive, talvez, o iPhone 4S do meu primo com uma semana de uso.)
Rodrigo foi embora antes. Ligou de casa dizendo que tinha perdido o celular no táxi ou na boate — não, ele não estava bêbado.
Saí em direção à cooperativa para ver se a Central sabia de alguma coisa.
Enquanto os motoristas se comunicavam por rádio, sentei no meio-fio em frente a uma fila de oito táxis.
Fui surpreendido por um gringo — não consegui identificar a nacionalidade —, magro, de óculos, pele morena e que falava bem o português.
— Você está trabalhando?
— Não.
— Quanto você cobra pra me levar em casa?
— Não, amigo. Não estou trabalhando.
E consenti com a cabeça como se fosse um “valeu”.
— 400 reais?
Que gringo burro. Tá sem noção de preço...
— Não... Eu não sou taxista.
— 500?
— Não.
— 600 só pra você mostrar seu corpo? Não precisa fazer nada...
Arregalei o olho e congelei por uns 2 segundos. Ele insistiu...
— Dinheiro nenhum? Nada?
A calça verde veio logo na minha cabeça... ri e educadamente disse:
— Não, amigo. Nada.
Ele saiu cabisbaixo e entrou sozinho no primeiro táxi da fila.
...
O celular está perdido... mas a dignidade continua comigo.
Ah, o Rio de Janeiro...
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