Quero descobrir quem é você com todas as suas cores e tons. As cores do esmalte que usa nas unhas, as cores de seu rosto quando é surpreendida e também quando sente vergonha. Os tons de seus batons, os tons de sua pele quando mente e também quando se faz de menina ao sol. Talvez seja atrevimento meu, mas quando te vejo recobro meu talento de garoto como o da música do Leoni e me torno mais atrevido do que propriamente sou.
Você acha que tudo não passa apenas de uma brincadeira. E é mesmo. Mas é uma brincadeira que estou te chamando para se divertir comigo e escorregar no tobogã que não sei bem onde vai dar, mas que garanto ser divertido enquanto a gente escorrega. Lá embaixo, talvez cheguemos cantando uma música qualquer do Zeca Baleiro, como aquela que diz que de você sei quase nada ou a que revela que você deve se sentir feliz porque no mundo tem alguém que diz que muito te ama.
Estou acordado à uma hora da manhã pensando em você. Parece estranho, mas sinto que você não é uma estranha para mim. Tento descobrir canções que te toquem que te façam rir e também chorar. Canções que te emocionem para que toda vez que você ouvi-las possa lembrar-se de mim como me lembro de você agora. Viajo em décadas de música e aporto em duas canções do The Cure sobre o garoto perfeito e a garota perfeita. Quero ser o cara perfeito e aposto que você possa dizer tudo o que a menina perfeita diz. Mas penso que essa tal perfeição fica só na canção e já me satisfaria em termos algumas imperfeições perfeitas para nós.
Tenho minhas manias e defeitos. Todos têm. Tenho meus filmes preferidos, posso vê-los repetidamente e de vez em quando choro com as comédias românticas e volto a chorar com os dramas que já vi mais de três vezes. Decoro frases de alguns filmes como “a coisa mais importante que você pode aprender é só amar e ser amado em troca”. Ou simplesmente “Carpe Diem” de Sociedade dos Poetas Mortos. Mas sonho mesmo em um dia dizer para alguém que “você me completa” como Jerry Maguire diz para Dorothy Boyd. Acho que todos sonham com isso. Muito chegam próximo, mas não se permitem. Esse é um defeito que não tenho, ainda que possa alegar insanidades momentâneas ao não dizer quando tem que ser dito.
Tenho preguiça de ler livros grandes, mas há frases de livros que se tornam mantras para mim. Como a do Pequeno Príncipe que diz que “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”. E os livros me ensinam, tanto quanto o dia a dia e os seus olhos. Livros claros para mim que me ensinam que tenho fortes propensões a me perder nas instigantes páginas de seus olhos verdes. Peço para invadi-los para quem sabe mergulhar no seu coração e arrepiar a sua espinha para então quem sabe chegar à sua alma. É aí que lembro as canções do Cazuza e confesso que nessa vida louca vida posso te dar um trem para as estrelas e que tudo isso, na verdade, faz parte do meu show. Faz parte do meu show ser atrevido e até te confundir. Faz parte do meu show te encher de elogios, falar ao seu ouvido e não esperar as suas respostas... Por temor, mistério, charme ou sei lá o que. Posso até te dar um filho, outra vida, afinal só as mães são felizes... E quero te ver feliz, quero te fazer feliz. Nesse ponto você já percebe que sou exagerado e pensa em me dispensar, mas no fundo no fundo sabe que quer algo assim para a sua vida.
Talvez eu me atreva um pouco mais, talvez você diga que não, quando tudo que quero é um sim. Um convite simples para descobrir as canções que te movem e fazer delas danças apoteóticas numa sala de cinema, bebendo a vida, num show de música ou simplesmente quando dorme nos meus braços e faço carinho em teu rosto enquanto sonha.
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