Palavreando - A sua voz

sexta-feira, 18 de maio de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Wanderson Nogueira

wandersonnogueira@gmail.com

Por que você não liga? Estou esperando para ao menos ouvir sua voz. Não quero saber o que dirá, sim ou não, apenas quero ouvir a sua voz! Eu preciso ouvir a sua voz!

As ruas estão vazias e meu coração está cheio de esperança. A noite não tem uma estrela sequer, mas o meu peito está ávido de paixão que não escapa pelo ar gélido que salta de minha boca. Não quero explicações, nem dissertações de doutorado. Eu só preciso ouvir a sua voz!

Peço socorro ao moço sentado no banco da praça. Dou comida aos pombos. Olho o chafariz iluminado. Clamo ao sobrenatural. “Por favor, será que alguém pode me ajudar!” Só eu entendo o quanto preciso apenas ouvir a sua voz!

Mando cartas para endereços inexistentes. As correspondências voltam sem resposta. Apelo para filmes em salas de cinema vazias. Nenhum rosto. Nenhum diálogo. Nenhuma dança. Ninguém me vê, ninguém mais lembra de você! Os sinos soam, mas a sua voz não vem. Será que os sinos estão abafando a sua voz?

Atento, tento ouvir a sua voz em meio à loucura das buzinas dos carros e da falação das calçadas abarrotadas de passos errantes. Busco em outras faces algo parecido, mas não há outra que possa ter a sua voz. Voo entre olhares de superação e encanto, mas não há outro que possa ter a sua voz. Eu preciso ouvir a sua voz! A sua voz...

O mundo gira veloz e viajo na velocidade da luz em busca de ouvir a sua voz! E ela não se ouve nesta casa, nem na avenida lá fora e nem em cidade alguma. Mando o vento ficar quieto e ele grita comigo trazendo tempestade. O silêncio faz morada após a tormenta e aguardo sua voz, mas sua voz não vem. Deve ter se cansado, talvez tenha ido com o vento para o leste. Meu pensamento voa até lá a fim de perseguir o que o vento talvez tenha levado, mas se afoga no oceano, levanta voo e se perde na esperança do que sequer se pode ter certeza ainda existir.

Persigo sua voz no rastro da poeira das estrelas e imagino encontrá-la em outros continentes. Mas se do outro lado dos mares não encontro sua voz, então creio... Quem sabe em outros planetas, em outras galáxias, nos mundos escondidos dentro do buraco negro. Em um universo paralelo, talvez...

Busco nos arquivos de caixa-postal, mas sua voz não está mais lá! Não está gravada em nenhum lugar... Tento ouvir sua voz nos sonhos e certas noites sou presenteado com tal dom, mas logo quando acordo volto para a realidade que o sol ilumina na mesma cabeceira em que repousa esse lamento que pede uma mensagem, que solicita a sua voz...

A vida assim como é me ensina que lembranças não se apagam; que certas jornadas atravessam tempos que nem conhecemos bem a não ser pelo que contam os livros de história; que nos alimentamos de existências que nem temos certeza existir, mas que de um modo ou de outro nos guiam, convocam em nós perseverança repleta de fé; que querendo ou não queremos encontrar o que desconhecemos não por curiosidade, mas porque é preciso fazer valer a pena!

Então, não mais no talvez insistente, me volto para mim mesmo e no céu de estrelas penduradas em meu peito, nas ruas e avenidas da minha alma, encontro no universo de meus pensamentos soltos a verdade que não cala a sua voz que tanto preciso. A sua voz!

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